Estudo aponta que saúde mental é prioridade sobre salários altos para 81% das pessoas

Pesquisa da Workforce Institute at UKG indica que gerações Z e Millennials são as que mais buscam empresas que ofereçam suporte emocional e acolhimento

Cerca de 70% dos gerentes aceitariam corte salarial por saúde mental

O ambiente de trabalho e a qualidade da liderança desempenham um papel decisivo na saúde emocional dos colaboradores. De acordo com o estudo “Mental Health at Work: Managers and Money”, realizado pelo Workforce Institute da UKG, 60% dos funcionários em todo o mundo afirmam que o emprego é o fator de maior influência em sua saúde mental.

A pesquisa, que ouviu 3.400 pessoas em 10 países, destaca que os gestores possuem um impacto no bem-estar psicológico de seus subordinados (69%) equivalente ao de cônjuges e parceiros. Esse nível de influência supera, inclusive, a de médicos (51%) e terapeutas (41%).

Exaustão e estresse crônico

O levantamento aponta um cenário de desgaste acentuado nas corporações. Ao final da jornada de trabalho, 43% dos empregados declaram estar “frequentemente” ou “sempre” exaustos. Além disso, 78% dos entrevistados afirmam que o estresse prejudica diretamente o desempenho profissional.

Esse impacto não se restringe ao escritório, afetando outras esferas da vida:

  • Vida doméstica: 71% sentem reflexos negativos em casa;
  • Bem-estar geral: 64% relatam prejuízos à saúde física e mental;
  • Relacionamentos: 62% percebem degradação em seus vínculos pessoais.

O custo do desequilíbrio

A priorização do bem-estar emocional tem se tornado uma tendência global. Conforme os dados, 81% dos trabalhadores priorizariam a saúde mental em detrimento de um salário alto. A disposição para sacrifícios financeiros é real: 64% dos colaboradores admitem que aceitariam um corte no pagamento em troca de um cargo que oferecesse melhor suporte ao bem-estar.

A falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional triplica as chances de um funcionário se sentir “desconectado” ou apenas “cumprindo tabela” (coasting). Nesses casos, a percepção de que o trabalho impacta negativamente a saúde mental sobe de 20% para 51%.

Apoio às lideranças é gargalo nas organizações

Embora sejam figuras centrais no suporte às equipes, os próprios gestores sofrem com a pressão corporativa. Cerca de 70% dos gerentes também aceitariam reduzir seus ganhos por um ambiente de trabalho mais saudável.

A situação é crítica para as chefias intermediárias:

Arrependimento: 57% dos gestores gostariam de ter sido avisados para não aceitarem seus cargos atuais;
Rotatividade: 46% planejam pedir demissão nos próximos 12 meses devido ao estresse excessivo;
Infelicidade: Profissionais com salários entre US$ 100 mil (cerca de R$ 570 mil) e US$ 200 mil (cerca de R$ 1,1 milhão) relatam os maiores índices de insatisfação.

Percepção da chefia e realidade dos liderados

Existe um descompasso claro entre o que a alta cúpula acredita oferecer e o que os funcionários percebem. Enquanto 91% dos executivos do nível C (C-level) acreditam que o departamento de Recursos Humanos (RH) é um bom recurso de apoio, apenas 64% dos trabalhadores concordam.

Além disso, apenas 54% dos colaboradores utilizam efetivamente as ferramentas de auxílio oferecidas pelas empresas. Outro dado relevante revela que 35% dos funcionários sentem que seus gestores falham em reconhecer o impacto que causam no bem-estar do time.

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Promover o pertencimento

A construção de um ambiente seguro passa pela autenticidade e vulnerabilidade dos líderes. Para contribuir para um local de trabalho saudável e produtivo, especialistas recomendam que a gestão não apenas ofereça recursos, mas modele o comportamento esperado.

Três estratégias fundamentais para líderes:

  1. Praticar a escuta ativa: Validar as emoções dos liderados sem pressa para solucionar problemas técnicos;
  2. Incentivar o descanso: Gestores devem tirar férias e desconectar-se para dar o exemplo, já que 85% dos funcionários não utilizam todo o tempo de folga disponível;
  3. Humanizar as relações: Tratar colaboradores com empatia e propósito, o que faz com que 88% dos profissionais trabalhem com mais entusiasmo.

O estudo da UKG revela que a saúde mental não é mais um benefício opcional, mas o alicerce da retenção de talentos e da inovação. Quando 88% dos funcionários que sentem confiança e propósito em suas funções afirmam que esperam ansiosos pelo dia de trabalho, fica claro que o bem-estar gera engajamento direto.

O grande desafio para as empresas é transformar a cultura do “silêncio” em um ambiente de segurança psicológica. Para isso, é fundamental que as organizações não deixem seus líderes para trás. Afinal, como destaca a pesquisa, para liderar bem, o gestor precisa primeiro cuidar de si mesmo, garantindo que sua própria “máscara de oxigênio” esteja ajustada antes de tentar auxiliar sua equipe.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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