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Empreender e ensinar: a missão da confeiteira que abriu o negócio no quintal de casa

Pesquisa 'Mulheres Empreendedoras' aponta mais de 60% das empreendedoras têm entre 31 e 51 anos, mais da metade é casada e seis em cada 10 possuem filhos

Por e 
Karina ensina receitas para mulheres carentes
Karina ensina receitas para mulheres carentes • Divulgação

A doceira Karina Moreira de Assis, 37 anos, transformou o quintal de sua casa e as memórias de infância em um negócio que une gastronomia e empreendedorismo social. Além de vender delícias e receber clientes em casa, no bairro São Lucas, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, ela ensina as receitas para mulheres de regiões carentes, como no Aglomerado da Serra, e impactadas por barragens, como em Barão de Cocais e Santa Bárbara, Região Central de Minas.

Casada e mãe de dois filhos — Tainá, 13 anos, e Miguel, 19 —, Karina tem o perfil identificado na 4ª edição da pesquisa “Mulheres Empreendedoras”, realizada pelo Sebrae Minas no começo deste ano, com 1.317 mulheres: mais de 60% das empreendedoras têm entre 31 e 51 anos, mais da metade é casada e seis em cada 10 possuem filhos.

A relação de Karina com a confeitaria começou ainda criança, observando sua avó (já falecida) produzir bolos e tortas artesanais, mas ela só começou a vender seus próprios quitutes aos 15 anos. Recentemente, ela decidiu dedicar-se integralmente à área: “Tem meses que eu larguei tudo para ficar por conta de doce”, diz a empreendedora, que é formada em Recursos Humanos.

“Eu queria uma coisa diferente... queria que as pessoas comessem coisas gostosas, mas com sabor da infância e não nada industrializado, tudo feito na hora”, explica Karina, ressaltando que seus preparos levam cerca de 30 minutos para garantir o frescor.

O carro-chefe da casa é o bolo de cenoura, com uma produção média de 160 pedaços por semana. A fatia generosa, com calda de chocolate feita na hora, custa R$ 12. Além dele, o cardápio conta com pão de queijo recheado, torta de frango, pão na chapa com ovos e bacon, chup-chup gourmet e açaí. “A gente faz mais ou menos uns seis tabuleiros de bolo por dia”, revela sobre a alta demanda do bolo favorito dos clientes.

Sobre a atuação como mentora para mulheres em situação de vulnerabilidade, Karina ressalta que o objetivo é ajudar as mulheres a saírem da dependência financeira dos parceiros. “Sempre tive essa ideia de querer que as mulheres empreendessem, não dependessem de homem. E a gente é capaz de fazer muito isso e muito melhor, por sinal”, afirma.

Em 2016, quando iniciou as aulas, o curso era no formato presencial. Com a abertura do negócio em casa, as aulas passaram a ser ministradas online. Karina conta que precisa adaptar o curso conforme a realidade de cada aluna.

“Eu vi esses dias que fui dar um curso para uma pessoa que não tinha sequer liquidificador, necessário para preparar a base do chup-chup. Nesses casos, mudo toda a logística do meu curso para atender conforme ela precisa.”

Apoio

Karina e outras empreendedoras encontram ajuda para melhorar o negócio no Sebrae, que tem vários programas gratuitos. Um deles é o Prepara Gastronomia, que oferece auxílio desde a concepção do projeto até a análise de viabilidade financeira e taxa de retorno. Simone Lopes, coordenadora estadual do programa Prepara Gastronomia no Sebrae-MG, aponta que o pilar fundamental não é apenas o sabor, mas a gestão.

"O caminho parte principalmente da organização desse pequeno negócio. Ele precisa organizar seus processos e precisa ter regularidade na sua atuação", disse. "O Sebrae é a instituição que pode dar todo o suporte de que esse empreendedor precisa para abrir um negócio no ramo de gastronomia", acrescenta Lopes.

O atendimento aos novos empreendedores interessados em profissionalizar sua produção artesanal pode ser feito diretamente pelo telefone 0800 570 0800.

Analista do Sebrae, Michelle Chalub também destaca o Sebrae Delas, programa criado em 2019 para apoiar o empreendedorismo feminino, seja por meio de capacitações, mentorias, orientações de negócio ou impulsionamento de redes de apoio. Quase 17 milhões de mulheres foram atendidas nos últimos cinco anos.

Ela ressalta que o empreendedorismo social pode parecer menos trabalhoso, mas não é. “Porque dentro de casa temos as mesmas necessidades de orientação e de planejamento do negócio. É claro que a gente tem outras opções, por exemplo, como a rede social, a internet, que a mulher pode muitas vezes usar para empreender com o próprio celular, começar com criatividade, fazendo daquela necessidade muitas vezes só caseira um negócio. Mas não é porque é dentro de casa, porque é social, que dá menos trabalho e é menos negócio”, destaca Chalub.

Empreender e ensinar a missão da confeiteira que abriu o negócio no quintal de casa • Foto: Itatiaia | IA
Empreender e ensinar a missão da confeiteira que abriu o negócio no quintal de casa • Foto: Itatiaia | IA

A 4.ª pesquisa “Mulheres Empreendedoras”, realizada em fevereiro deste ano, mostra que a maioria das empreendedoras (65%) iniciou um negócio por oportunidade, após identificar uma lacuna no mercado e abrir o empreendimento de forma planejada. Outras 35% afirmam que empreenderam por necessidade, ou seja, motivadas por desemprego, necessidade de gerar renda ou falta de oportunidades no mercado formal.

Gestão familiar e futuro

O negócio de Karina é uma operação em família. O marido, Pedro, cuida da parte administrativa. Já a filha, Tainá, auxilia no atendimento e na produção diária. Karina deseja que a filha siga seu exemplo de trabalho e solidariedade, destacando o potencial financeiro do setor: “Hoje em dia a gente consegue ganhar o que uma pessoa com faculdade consegue ganhar”.

Coragem

Executiva comercial, Daniele Santana de Souza, 40 anos, é cliente antiga. Para ela, as mulheres que rompem preconceitos para conquistar seu lugar no mercado de trabalho demonstram, acima de tudo, ousadia. Ela ressalta que empreender no Brasil é um desafio constante, especialmente pelos riscos e pela carga tributária: “Empreender é um risco, principalmente considerando o Brasil, por causa de ser empresário. Hoje todo mundo sabe como é a questão de impostos e tributos”, disse.

Sobre os quitutes, a cliente aponta o bolo de cenoura com cobertura de chocolate como "diferenciado". Para acompanhar, a escolha é sempre o café coado na hora. “Meu preferido é o bolo de cenoura da Karina... e o café coado na hora. O café dela tem alguma coisa diferente que ela não conta”, disse.

Serviço

Para quem deseja conhecer o espaço ou adquirir os produtos:

Rua Juiz da Costa Val, 903, bairro São Lucas.

Funcionamento: sábados e domingos (8h às 12h); de segunda a sexta-feira, a partir das 16h, com hora marcada.

Encomendas e cursos: por meio do Instagram @KarinaSuitzBH.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.