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A resistência do comércio raiz que gera renda e emprego no bairro Betânia

Tradicional Rua Úrsula Paulino ajuda a movimentar a economica na capital mineira

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Depóstio mantém 50 anos de tradição no bairro Betânia
Depóstio mantém 50 anos de tradição no bairro Betânia • Aline Campolina/Itatiaia

No coração do bairro Betânia, na Região Oeste de Belo Horizonte, a Rua Úrsula Paulino pulsa como um dos principais eixos comerciais da região. Em meio ao avanço das grandes redes de construção e à impessoalidade das compras on-line, o Depósito Havaí se mantém inabalado há 55 anos. A história deste negócio raiz retrata a força comercial da rua e é a terceira reportagem da série "Comércio de bairro: o empreendedorismo que mantém a tradição e sobrevive em meio à era digital".

Dados compilados pelo Sebrae Minas colocam Belo Horizonte como a terceira capital do Brasil com a maior concentração de Microempreendedores Individuais (MEIs), com 294.328, atrás do Rio de Janeiro (742.721) e de São Paulo (1,3 milhão). Muitos desses pequenos negócios podem ser encontrados na Rua Úrsula Paulino, que tem de tudo um pouco: agências bancárias, consultórios odontológicos, salões de beleza, sacolões, supermercados, farmácias, agências de veículos, entre centenas de estabelecimentos.

A resistência do comércio raiz, que gera renda e emprego no bairro Betânia. • Arte Dhandara Entreportes/Itatiaia
A resistência do comércio raiz, que gera renda e emprego no bairro Betânia. • Arte Dhandara Entreportes/Itatiaia

O balcão como divã

Para Jackson de Oliveira, gerente do Depósito Havaí há 38 anos, o segredo da longevidade não está apenas no estoque, mas no "olho no olho". Ele descreve o atendimento como um suporte que vai além da venda técnica: "O comerciante de bairro é psicólogo, é médico, é advogado... as pessoas vêm aqui para desabafar", garante.

Para ele, esse diferencial humanizado é o que fideliza uma carteira de cerca de 800 clientes, que buscam no depósito não apenas um produto, mas a solução para problemas domésticos e o acolhimento que as grandes lojas de departamento não oferecem.

A modernização tecnológica, embora presente, não apagou os valores fundamentais do negócio. O antigo "caderninho" de anotações deu lugar aos computadores e ao sistema de boletos (CS), mas a base de tudo continua sendo a confiança.

As dores do pequeno negócio

Márcia Valéria Cota, do Sebrae, reforça importância do comércio de bairro • Aline Campolina/Itatiaia
Márcia Valéria Cota, do Sebrae, reforça importância do comércio de bairro • Aline Campolina/Itatiaia

Recuperação pós-pandemia de Covid-19, capacitação e fidelização de clientes estão entre as principais dores dos empreendedores de pequenos negócios, de acordo com o Sebrae.

A gestão profissional é outro divisor de águas entre o sucesso e o fechamento das empresas, como destaca Márcia Valéria Cota Machado, gerente da Unidade de Indústria, Comércio e Serviços do Sebrae. “É importante esse pequeno negócio já começar redondinho, já começar separando os custos pessoais dos custos da empresa. 80% das empresas quebram por falta de gestão”, alerta a especialista.

A tendência de esvaziamento dos grandes centros urbanos em favor dos bairros é um movimento global que Márcia define como o conceito de “centralidades”. Com a rotina cada vez mais corrida, o consumidor busca resolver sua vida perto de casa para economizar tempo e evitar problemas de logística e segurança.

Ruas como a Jacuí, Izabel Bueno e Úrsula Paulino exemplificam esse fenômeno, tornando-se polos onde se encontra de tudo: de açougues a lojas de vestuário. “É natural que os bairros comecem a concentrar essa diversidade de negócios, de comércio e serviço para que atraiam e retenham esse consumidor”, conclui Márcia.

O olhar de quem fica

A transformação e o desenvolvimento comercial da Rua Úrsula Paulino são nítidos para quem vive ali. É o caso do aposentado Antônio Eustáquio, de 71 anos, morador da rua há quatro décadas. Ele recorda que a área era um "deserto" e que hoje o comércio local é tão forte que dispensa idas ao Centro da cidade. "Tudo a gente tem próximo aqui... compensa comprar aqui pela comodidade", afirma Eustáquio, destacando que a presença de bancos, farmácias e depósitos trouxe segurança e renda para o Betânia.

Antônio Eustáquio acompanha o crescimento do comércio na Rua Úrsula Paulino há 40 anos. Aline Campolina | Itatiaia
Antônio Eustáquio acompanha o crescimento do comércio na Rua Úrsula Paulino há 40 anos. Aline Campolina | Itatiaia

 

Uma herança familiar

O Depósito Havaí permanece sob a administração de seu fundador, um senhor de 77 anos, conhecido como Toninho. Avesso a entrevistas, ele lidera uma equipe composta por oito membros da mesma família.

Essa estrutura familiar é apontada por Jackson como o pilar que sustenta o negócio diante das transformações do mercado, tratando cada venda com o cuidado de quem cuida do próprio patrimônio.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.

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Jornalista formada pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e graduanda em Letras pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). Foi editora do Jornal da Itatiaia e, atualmente, integra a equipe do portal da Itatiaia como chefe de reportagem.

 

 

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