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Sicepot-MG alerta para falta de mão de obra e defende novas jornadas na construção

Bruno Ligório afirmou, durante o Eloos Indústria, que o setor enfrenta escassez de profissionais, defendeu investimentos em qualificação e propôs discutir modelos de jornada de trabalho

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Evento foi realizado na manhã desta segunda-feira (3) • Reprodução Vídeo

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), Bruno Ligório, defendeu a revisão dos modelos de jornada de trabalho nas obras de infraestrutura e alertou para a escassez de mão de obra qualificada no setor. As declarações foram feitas durante o Eloos Indústria, promovido pela Itatiaia, nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte.

Segundo Ligório, as características das obras de infraestrutura exigem uma discussão sobre escalas de trabalho que conciliem produtividade e qualidade de vida dos trabalhadores. Ele explicou que boa parte dos empreendimentos está localizada longe dos grandes centros urbanos, o que leva as empresas a manterem equipes alojadas durante a execução dos serviços.

"As obras de infraestrutura geralmente são afastadas dos centros urbanos. Trabalhamos quase sempre com trabalhadores alojados. Pensando na qualidade de vida do trabalhador, junto com a produtividade, faz sentido deixar trabalhadores dois dias alojados ou juntar esses dias e ele curtir a folga em casa? Esse é o tipo de discussão que precisamos ter", afirmou.

Para o presidente do Sicepot-MG, a falta de profissionais já representa um dos principais desafios para o crescimento da construção pesada. Segundo ele, um levantamento do setor aponta que, considerando o volume atual de produção e as obras em andamento, seriam necessários cerca de 290 mil novos trabalhadores para atender à demanda.

"Está na hora de discutir aumento de renda ou aumento de riqueza. Um estudo, com base no que temos hoje em produção e em obras em execução, mostra que seria preciso trazer 290 mil trabalhadores para a indústria da construção, e nós não temos essas pessoas. Imagina quando aumentarmos os investimentos em infraestrutura. Se hoje já não temos trabalhadores disponíveis, imagina depois?", questionou.

Diante desse cenário, Ligório defendeu políticas voltadas à qualificação profissional e à valorização da mão de obra como forma de garantir o crescimento sustentável do setor. "Precisamos investir em formação e no aumento da renda para gerar mais riqueza", concluiu.

Sobre o Eloos Indústria

O seminário de encerramento do quinto ciclo do Eloos Itatiaia reuniu as principais lideranças da indústria e do poder público no Espaço Ava, na capital mineira. Promovido pelo Grupo Itatiaia, o projeto debateu no primeiro painel os gargalos do "Custo Brasil", logística e mecanismos de defesa comercial; analisou o futuro das jornadas de trabalho e a escala 6x1 na segunda mesa; e encerrou com discussões estratégicas sobre a diversificação da economia de Minas Gerais.

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