Pequenos produtores rurais apostam no empreendedorismo para continuar vivendo do Agro
Inovação e diversificação ajudam a garantir renda e manter famílias no campo

O futuro do agronegócio passa pelo empreendedorismo. Produzir com eficiência continua sendo fundamental, mas, atualmente, isso já não é suficiente. Produtores rurais e empresas do setor precisam aliar conhecimento técnico, práticas sustentáveis e, sobretudo, visão empreendedora.
Para Priscilla Lins, gerente de Agronegócios e Artesanato do Sebrae Minas, o empreender é essencial no campo.
“Ele tem características empreendedoras que, às vezes, o empresário urbano tem dificuldade de compreender. Correr riscos, por exemplo, é algo muito presente no agro, porque o produtor convive com isso o tempo todo. Ele é ousado, toma crédito, precisa conhecer gestão de pessoas, máquinas e equipamentos”, explica.

Os pequenos empreendedores rurais e agricultores familiares representam a maioria absoluta do agronegócio brasileiro. Eles correspondem a cerca de 80% dos mais de cinco milhões de estabelecimentos rurais do país.
É o caso de Juliano Minardi, médico veterinário e Raquel Ximenes, nutricionista, que trabalham com queijo de ovelha em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Eles produzem cerca de 20 litros de leite por dia, matéria-prima que vai além dos queijos e também é utilizada na fabricação de iogurtes, doces e outros produtos.
Os dois se conheceram no Ceará e decidiram se mudar para o interior de Minas Gerais em busca de uma transformação de vida, unindo propósito pessoal e empreendedorismo.
“Começamos com o empreendedorismo, mas também como um estilo de vida. Isso aqui é um modo de viver. É algo complexo, porque tudo está muito conectado na roça”, conta Juliano.

Parceria de sucesso
A parceria entre os dois é considerada um exemplo de empreendedorismo no campo. Apesar dos desafios, apostaram no negócio e persistiram. “É uma grande aventura. No começo, dá um pouco de medo, porque empreender não é fácil e tudo é novo até você aprender como as coisas funcionam”, relata Raquel.
O casal também destaca que se preparar para produzir é diferente de se preparar para vender. No caso deles, um dos principais desafios foi romper o preconceito em relação ao leite de ovelha e conquistar consumidores para um produto ainda pouco conhecido.
“Existe também o preconceito por ser leite de ovelha. Você precisa conquistar o cliente para consumir um produto novo, um leite diferente, que é nutricionalmente maravilhoso. Isso foi um desafio, tanto para aprender quanto para vender, mas persistimos”, revela Raquel.

O trabalho é diário e exige dedicação constante, mas os resultados já permitem que os dois vivam da produção leiteira. Para Priscilla Lins, esse perfil empreendedor é justamente uma das características necessárias para o agro brasileiro ampliar sua competitividade.
“É preciso ter ímpeto, coragem e disposição para assumir riscos, de forma planejada, claro. As possibilidades para o brasileiro são imensas. Não tenho dúvida de que, se o produtor avançar um pouco mais nas estratégias, observando o mercado e a realidade do seu território, ele será ainda mais competitivo do que já é”, afirma.
Confira a reportagem completa:
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.
