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Agro brasileiro avança na transformação digital, mas enfrenta desafios

Apesar do progresso das ferramentas, a falta de conectividade ainda é um dos principais entraves para a modernização do campo

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Tecnologia no campo aumenta produtividade e sustentabilidade
Tecnologia no campo aumenta produtividade e sustentabilidade • Freepik

O futuro do agronegócio está diretamente ligado à adoção de tecnologias. O desafio, no entanto, é ampliar o acesso e a disseminação de práticas e ferramentas digitais no setor. O Agrotec reúne soluções como automação, biotecnologia e ferramentas digitais capazes de otimizar todas as etapas da produção, do plantio à distribuição.

Segundo Gustavo Lopes da Silva, engenheiro agrônomo e conselheiro da Câmara Especializada de Agronomia do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), a demanda por inovação no campo cresce de forma constante.

“Quando a gente fala em agro, não tem como deixar a palavra tecnologia de fora. Hoje, para produzir mais e alcançar altos níveis de qualidade e produtividade, a tecnologia precisa estar inserida nas atividades do agronegócio brasileiro. O setor também demanda profissionais cada vez mais qualificados”, afirma.

Apesar dos avanços, a falta de conectividade ainda limita a expansão tecnológica em diversas regiões rurais. O Mapa da Conectividade Rural, levantamento estatístico que analisa o acesso à internet no campo, aponta que cerca de 80% das propriedades rurais possuem algum tipo de conexão. Ainda assim, três em cada quatro produtores enfrentam falhas de sinal, e apenas 25% contam com cobertura em toda a propriedade.

Gustavo destaca que Minas Gerais ainda enfrenta desafios para consolidar um agronegócio mais tecnológico.

“Algumas regiões de Minas Gerais ainda apresentam um nível de tecnologia menos avançado devido às condições econômicas locais. Como o estado é muito extenso, ainda existem dificuldades para ampliar esse acesso”, explica.

Gustavo Lopes da Silva, engenheiro agrônomo e conselheiro da Câmara Especializada de Agronomia do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) • Anderson Porto | Itatiaia
Gustavo Lopes da Silva, engenheiro agrônomo e conselheiro da Câmara Especializada de Agronomia do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) • Anderson Porto | Itatiaia

Diante das limitações de conexão, produtores de diferentes portes têm buscado alternativas para manter a produtividade. Vinícius Pereira Guimarães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, explica que soluções offline têm sido adotadas para minimizar os impactos da falta de internet no campo.

“Uma das formas que temos trabalhado nos últimos anos é com maquinários e ferramentas capazes de atuar no campo, coletar informações e, ao retornarem para a sede, se conectarem para enviar os dados”, relata.

Vinícius Pereira Guimarães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo • Anderson Porto | Itatiaia
Vinícius Pereira Guimarães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo • Anderson Porto | Itatiaia

A tecnologia já beneficia diretamente atividades agrícolas e pecuárias, incluindo o monitoramento do desempenho animal. Emir Antônio Queiroz, da área de melhoramento genético da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), destaca os avanços no ganho de peso dos animais.

“Há animais que chegam a ganhar 1,8 quilo por dia, podendo atingir até 2 quilos diários. É uma evolução muito grande”, ressalta.

Emir Antônio Queiroz, da área de melhoramento genético da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) • Anderson Porto | Itatiaia
Emir Antônio Queiroz, da área de melhoramento genético da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) • Anderson Porto | Itatiaia

 

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.