Falta de políticas públicas para o transporte prejudica cadeia produtiva industrial
Motoristas e dirigentes do setor cobram políticas eficientes e duradouras

O setor de transportes é um instrumento-chave da estratégia logística de toda a cadeia produtiva do país. Representantes da área cobram políticas públicas específicas e duradouras, que não sejam alteradas a cada mudança de governo.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (SETCEMG) e vice-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (FETCEMG), Antônio Luis da Silva Junior, reforça a necessidade de políticas permanentes para o setor.
“A diferença entre governo e Estado é que a política de governo é para esse mandato, com fins específicos, partidários e ideológicos. Uma política de Estado transcende os governos, indo muito além, pensando a longo prazo e em uma reforma estruturante do país. Nós temos falta porque não temos continuidade nas ações necessárias. Realmente, o governo não se preocupa com o futuro, mas sim com o mandato atual apenas”, aponta.
Para o representante, um planejamento de longo prazo para o setor de transportes poderia beneficiar diferentes áreas da economia e ampliar a competitividade do Brasil.
“Acredito que uma política de Estado bem planejada não é uma política só para o transporte. É uma política que, beneficiando o transporte, também influencia diretamente a agricultura, porque você tem exportação, o material que é exportado, e o próprio consumidor industrial nacional, que teria um custo menor para chegar aos seus produtos no destino. Isso é essencial para que o governo pensasse em políticas de 30, 40 anos para frente”, discorre.

Motorista de caminhão, Willian Souza afirma que a falta de políticas públicas e de atenção do poder público afeta principalmente os profissionais que atuam nas estradas.
“Quando rodamos na estrada, queremos um ponto de apoio para encostar e dormir, e isso não temos. Ao fazer uma viagem para São Paulo esses dias, cheguei lá e tive que pagar estacionamento no posto de gasolina. Isso aí é um absurdo, você chegar e ter que pagar para estacionar o caminhão, para dormir. O país não anda sem o caminhão. O país sem o caminhoneiro não vai muito longe”, afirma.
Diretor da FETCEMG e dirigente de outras entidades do setor de transportes, Adalci Ribeiro Lopes explica que diferentes fatores contribuem para desestimular a atividade dos motoristas de caminhão.
“Se você vai daqui a Ipatinga, por exemplo, o tempo de viagem desestimula o motorista que quer ganhar por produtividade. Não tem como produzir, ainda mais com uma lei que diz que tem que rodar por determinadas horas e depois parar obrigatoriamente. Antigamente não era assim. O motorista fazia da produção um prazer de estar dirigindo. Não vira motorista, nasce motorista, é um dom que tem. Então, quer dizer, se quiser tomar um café lá na Dona Joaquina, que programou para passar e parar, tinha um cotidiano muito prazeroso.
Hoje nós tiramos isso do motorista. Temos que fazer todo o projeto de risco pela seguradora, que obriga a não poder parar em grandes áreas dos centros, onde há muitos roubos de carga. Não tem como parar na hora que quer, porque tem que realmente cumprir aquela norma de oito horas de direção”, conta.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



