Sucessão familiar é um dos principais desafios do agronegócio no Brasil
Enquanto o setor avança em tecnologia, produtividade e modernização, o agro enfrenta dificuldades crescentes para garantir a continuidade das propriedades rurais entre gerações

A sucessão familiar no campo segue como um dos principais desafios do agronegócio brasileiro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que apenas 30% dos negócios rurais chegam à segunda geração, enquanto cerca de 5% conseguem avançar para a terceira. Nesse cenário, produtores de diferentes portes relatam dificuldades para garantir a continuidade das atividades no campo.
O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente do Sistema Faemg, Antônio de Salvo, explica que um dos principais obstáculos é convencer os jovens a permanecerem no meio rural, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelos produtores.
“Aqui em Minas, mais de 80% dos produtores rurais são pequenos e enfrentam dificuldades. É difícil convencer os jovens, que cresceram vendo os pais trabalharem arduamente, expostos ao sol, de que o campo pode ser um caminho de futuro. Sem acesso à tecnologia, eles não permanecem. Precisamos levar inovação não apenas para melhorar os índices produtivos, mas também para despertar o interesse dos filhos dos produtores. O jovem de hoje quer operar um trator com joystick, um drone para pulverização ou manejo, e não necessariamente uma enxada ou uma foice. Esse é um desafio gigantesco”, afirma.

O produtor Pedro Costa, de Pedro Leopoldo, vive essa realidade. Mesmo com dois filhos, ele afirma não ter quem dê continuidade à produção de hortaliças e vegetais da família. “A gente tenta ensinar, mas o pessoal de hoje não gosta muito do trabalho pesado”, relata.
Já Delmar Macedo, produtor de queijo em Caeté, acredita na sucessão familiar como forma de preservar o legado construído ao longo dos anos. “Ter os filhos por perto dá mais força. Tudo o que faço hoje é pensando neles. A gente sempre espera que alguém continue o trabalho”, diz.

O campo também é futuro
Apesar de muitos jovens ainda enxergarem o meio rural como um espaço com poucas oportunidades, iniciativas e experiências mostram um movimento de transformação no setor. O baiano Davi Lima encontrou no agro uma nova trajetória profissional ao se casar com uma mineira e assumir a gestão de um alambique em Pitangui.
“Eu não era do ramo, trabalhava no varejo, sem nenhuma ligação com o agro. Vim a convite do meu sogro para ajudar na administração e organização da produção de cachaça. Já estou nesse trabalho há quase sete anos”, conta.

Especialistas destacam que o planejamento sucessório é fundamental para reduzir conflitos familiares e garantir a sustentabilidade dos negócios rurais.
Em Crucilândia, José Antônio Aguiar afirma que herdou do pai não apenas o conhecimento sobre a lida no campo, mas também valores essenciais para a condução da vida e do trabalho. “Meu pai faleceu cedo, aos 46 anos, mas aprendi muito com ele. Principalmente o respeito. Ele sempre dizia: ‘você precisa ouvir antes de falar’. Carrego esse ensinamento até hoje”, relembra.
Confira a reportagem completa:
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.
