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Agro enfrenta crise de crédito e pressão das importações em meio a cenário de incertezas

Com queda no câmbio, dificuldade de acesso ao crédito e aumento das importações, produtores de soja, leite e milho relatam dificuldades

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Produtores rurais enfrentam dificuldades com crédito, custos elevados e pressão das importações no agronegócio brasileiro • Canva/ Banco de imagem

Em meio a um cenário de incertezas, a soja brasileira, principal produto de exportação do país, enfrenta dificuldades. Com a queda do câmbio e produtores reduzindo investimentos, o setor vive uma crise que, segundo representantes do agro, poderia ser amenizada com a ampliação do crédito rural.

Luís Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso, entidade que representa produtores do maior estado produtor de soja do país, afirma que o acesso ao crédito é essencial para garantir a continuidade da produção.

“O crédito rural não é um favor do governo ao produtor. Ele está previsto na Constituição. Pela característica do mercado agrícola, competimos em um ambiente de livre concorrência com países que trabalham com taxas de juros muito mais baixas. Hoje, vivemos uma crise de crédito: está cada vez mais difícil captar recursos, as garantias exigidas aumentaram e o agro enfrenta dificuldades. É justamente nesse momento que o produtor precisa de apoio financeiro para continuar produzindo”, afirma.

• Anderson Porto | Itatiaia
• Anderson Porto | Itatiaia

O setor leiteiro também enfrenta um cenário de preocupação. Importado da Argentina e do Uruguai, o leite chega ao Brasil com preços inferiores aos praticados nos próprios países de origem, situação que pode configurar dumping, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges.

“Todo o setor está apreensivo e aguarda uma solução por parte do MDIC, que até hoje não resolveu a questão. Os prazos já foram prorrogados várias vezes, e esperamos que a atual ministra e sua equipe adotem as providências necessárias. Já existem indícios e demonstrações de que pode estar ocorrendo dumping. Se isso for confirmado, é preciso que medidas sejam tomadas rapidamente para evitar que o setor continue sendo penalizado, como ocorre desde 2022, com recordes de importações predatórias de leite do Mercosul, especialmente da Argentina e do Uruguai”, explica.

Presidente da Abraleite, Geraldo Borges • Anderson Porto / Itatiaia
Presidente da Abraleite, Geraldo Borges • Anderson Porto / Itatiaia

As incertezas também afetam o planejamento da próxima safra e a compra de insumos. O tema foi debatido durante congresso promovido pela Abramilho, associação que representa os produtores de milho em Brasília.

Segundo o presidente da entidade, Paulo Bertolini, o agro enfrenta uma combinação de fatores que agravou a crise no setor.

“Esse ciclo de ‘tempestade perfeita’ reuniu o comportamento natural das commodities agrícolas, marcado por oscilações de preços, com fatores externos, como as guerras na Europa e no Oriente Médio, que afetaram toda a cadeia produtiva. O milho também sofreu impactos. Ainda assim, acreditamos que a expansão das usinas de etanol pode ajudar a dar mais estabilidade e previsibilidade ao mercado. Do outro lado, o governo precisa avançar em políticas agrícolas, melhorar o Plano Safra e garantir tranquilidade para que o agricultor continue produzindo”, afirma.

Presidente da Abraleite, Paulo Bertolini •
Presidente da Abraleite, Paulo Bertolini •

 

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.