Faturamento real da indústria registra queda de 1% no 1º semestre de 2026
Resultado reforça a desaceleração da atividade industrial em meio ao ambiente de juros e avanço das importações e custo de produção

A indústria de transformação no Brasil registrou uma queda de 1% no faturamento real no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (12) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontam para uma desaceleração da atividade industrial, influenciada principalmente por juros elevados, avanço das importações e aumento dos custos de produção.
A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, reforça que o cenário atual reflete sinais de perda de fôlego da atividade industrial em meio a um ambiente desafiador. "A indústria vem andando de lado e isso se deve, principalmente, a três fatores: o patamar elevado dos juros e seus desdobramentos sobre a atividade econômica, agravados pelo alto endividamento das famílias e das empresas; o avanço expressivo dos custos de produção; e a forte entrada de produtos importados.", afirma Nocko.
Nesse contexto, Nocko explica que é mais difícil para as indústrias repassar o aumento dos custos para seus preços em função da concorrência com as importações, o que resulta em margens de lucro comprimidas.
Apesar de o faturamento ter avançado 0,8% em junho na comparação com maio, o desempenho isolado não foi suficiente para reverter o resultado menos robusto observado no restante do semestre.
Outros indicadores também confirmam a desaceleração. O número de horas trabalhadas na produção recuou 1,1% nos seis primeiros meses do ano, frente ao mesmo período de 2025. Já o emprego industrial teve uma queda de 0,6%, mostrando que a indústria nacional busca avançar frente aos desafios globais.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) da indústria apresentou uma redução, caindo de 77,4% para 76,8% em junho. Na média do primeiro semestre, o indicador ficou 1 ponto porcentual abaixo do registrado no igual período do ano passado, sugerindo menor pressão sobre o parque produtivo.
Os dados do mercado de trabalho, por sua vez, mostraram sinais mistos. Embora o emprego tenha recuado no acumulado do semestre, a massa salarial real cresceu 0,8% em relação ao primeiro semestre de 2025. O rendimento médio dos trabalhadores da indústria também avançou 1,4% na mesma base de comparação.
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