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JPMorgan rebaixa recomendação no Brasil para neutro e prevê fim dos cortes na Selic

Banco de investimentos rebaixou a recomendação do Brasil para "neutro" devido ao fim do ciclo de flexibilização monetária, desaceleração econômica e deterioração do crédito

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Sede do JPMorgan em Nova York, nos Estados Unidos
Sede do JPMorgan em Nova York, nos Estados Unidos • TIMOTHY A. CLARY / AFP

O JPMorgan, um dos maiores bancos de investimentos do mundo, rebaixou a recomendação de investimento no Brasil de "overweight" (exposição acima da média do mercado, equivalente a compra) para "neutro". A decisão, divulgada nessa segunda-feira (10) em relatório a clientes, se deve à percepção de que o ciclo de flexibilização monetária no país está chegando ao fim, enquanto o crescimento econômico desacelera e o ciclo de crédito se deteriora.

Essa movimentação acontece em um cenário onde o mercado financeiro acompanha de perto a previsão de inflação. Para o JPMorgan, a recomendação "neutro" implica que grandes fundos e investidores devem manter em suas carteiras uma parcela de ações brasileiras proporcional ao peso que o Brasil possui nos índices de referência internacionais.

O banco projeta um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em setembro, seguido por uma "longa pausa" na política monetária até o segundo trimestre de 2027. Essa perspectiva levanta questões sobre o que ameaça a queda de juros no Brasil.

Do ponto de vista técnico, o JPMorgan observa que os ativos brasileiros tendem a ter um desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições. Embora julho tenha sido uma exceção, com o Ibovespa subindo 3,47% e o dólar caindo 1,92% ante o real, o mercado brasileiro tem recuado em agosto. O banco prevê que essa tendência continue, à medida que a volatilidade, atualmente baixa, aumente antes do pleito eleitoral.

"No geral, tudo parece muito calmo por enquanto no que diz respeito aos preços, e optamos por ficar à margem antes da volatilidade que se aproxima", afirma o JPMorgan em seu relatório.

A instituição financeira destaca que, desde maio, tanto o mercado acionário brasileiro quanto o real têm demonstrado estabilidade, o que sugere um baixo "prêmio eleitoral" nos preços dos ativos.

A perspectiva política para o país segue incerta na avaliação do JPMorgan. O próximo presidente, que assumirá após as eleições de outubro, terá de lidar com juros altos reconfiguram o mercado e um persistente déficit fiscal, onde o governo gasta mais do que arrecada.

Por fim, o preço-alvo do Ibovespa para o fim de 2026 foi revisado para baixo, de 190 mil para 185 mil pontos, o que ainda representa uma alta de 7,45% em relação ao fechamento da última segunda-feira (10).

*Por Caroline Aragaki, do Estadão Conteúdo

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