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Juros e ajuste fiscal são desafios para investidor brasileiro, dizem especialistas

Política monetária foi um dos principais temas do Inter Invest Summit 2026, em Belo Horizonte, na Arena MRV

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A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória • Bruno Nogueira/Itatiaia

A alta taxa de juros, impulsionada por um desarranjo fiscal, são os principais desafios para o investidor brasileiro, segundo avaliação de especialistas durante o Inter Invest Summit, na Arena MRV, em Belo Horizonte, neste sábado (26). O evento reuniu o mercado financeiro na capital mineira para um dia de palestras sobre educação financeira.

Com uma taxa básica a 13,75% ao ano, e juros estruturais elevados a anos, a avaliação é de que parte do mercado se acostumou com rendimentos elevados em investimentos de renda fixa, geralmente com riscos mais baixos.

A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, explicou que o investidor de renda fixa tem um retorno mais alto com os juros elevados, mas esse aspecto da macroeconomia que também eleva o custo do crédito está impactando a inadimplência das famílias para níveis limites. Ela lembra que o ano começou com 15% de juros, mas caiu de forma lenta até 13,75% ao ano.

“A gente tem um estímulo fiscal que acabou dando um fôlego para a demanda, pressionando um pouco a inflação neste ano. O ritmo dos cortes é lento, mas ele segue. Na medida em que a taxa de juros vem caindo, a gente tende a ver um alívio para as famílias”, disse.

A especialista ainda destaca que o juros tem sido impulsionado por um certo descontrole fiscal do governo, afirmando que o mercado espera um ajuste no próximo ano, seja com uma nova gestão ou mesmo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Hoje, o grande desafio do mercado é o juro alto, mas para que os juros caiam de maneira consistente, a gente precisa ter visibilidade sobre a política fiscal. A razão dos juros altos nos últimos anos está no fiscal expansionista. Por isso o mercado está de olho nesse programa de ajuste fiscal [no próximo governo], porque essa credibilidade vai permitir que o Banco Central corte os juros em 2027”, completou.

Segundo o CEO do Inter no Brasil, Alexandre Riccio, o investidor ainda precisa aprender a lidar com a diversificação da sua carteira, na medida em que os juros começam a cair. “O brasileiro, como vive nos últimos 20 ou 30 anos, em um ambiente de juros estruturais altos, é mais simples achar retornos grandes”, disse.

"Na medida que a gente vê o país se modernizando, crescendo com juros estruturais mais baixos, o investidor brasileiro vai precisar se educar. Ele vai precisar aprender mais, aprender mais sobre classes de ativos diferentes. Entender quais são as classes de ativos, entender como que eu diversifico meus investimentos para que eu tenha bons retornos no longo prazo, principalmente no contexto de investir sempre, investir como rotina, é algo que o investidor vai precisar se preocupar”, emendou o executivo.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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