Governo detalha planos para ampliar BRs, ferrovias e hidrovias no Brasil até 2050
Plano nacional, que será lançado nesta quarta-feira, em Brasília, prevê aumento da capacidade de rodovias como BR-040 e BR-381, em MG, além da ampliação de ferrovias e a integração de Pirapora à Hidrovia do São Francisco; investimentos devem chegar a R$ 1,2 trilhão

O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que será lançado nesta quarta-feira (12), em Brasília, aponta que Minas Gerais deve receber investimentos em rodovias, hidrovias e ferrovias nos próximos aos. Os investimentos previstos pelo governo federal e pela iniciativa privada devem chegar a R$ 1,2 trilhão nos próximos 24 anos em projetos em todo Brasil.
No estado mineiro, que concentra a maior malha rodoviária do país, o plano prevê aumento da capacidade de trechos das BRs-040, 381, 116, 262 e 259, além da ampliação de ferrovias e da integração de Pirapora à Hidrovia do São Francisco.
A proposta mira problemas que já existem e também atividades econômicas que podem crescer. O PNL, elaborado pelo ministério dos Transportes e outras pastas do Governo Fedearl aponta dificuldades para transportar milho, soja, produtos industrializados e siderúrgicos, minerais e açúcar. Também identifica oportunidades para aumentar a produção de milho, papel e celulose e explorar o lítio no Vale do Jequitinhonha.
Rodovias devem ter mais capacidade
Nas principais rodovias federais de Minas, o plano prevê expansão, ou seja, aumento da capacidade de estradas que já existem e são bastante usadas. Isso não quer dizer, necessariamente, que todos os trechos serão duplicados. O PNL não detalha ainda qual obra será feita em cada ponto.
Na BR-040, estão previstos trechos entre Paracatu e Belo Horizonte, Paracatu e Cristalina e Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Na BR-381, a previsão é de expansão entre Belo Horizonte e Governador Valadares. A BR-116 aparece com intervenção entre Governador Valadares e o Rio de Janeiro. Já na BR-262, os trechos indicados ficam entre Betim e Uberaba e entre a BR-381 e a divisa com o Espírito Santo.
Na BR-356, o plano prevê uma nova infraestrutura entre Mariana e Porto Firme. O trecho entre Ervália e o Rio de Janeiro aparece como expansão.
Ferrovias podem ampliar saída da produção
O PNL também prevê melhorias na rede ferroviária. Entre as prioridades estão a ampliação da FCA entre Belo Horizonte e Salvador e entre Uberaba/Araguari e Belo Horizonte, além de intervenções na MRS, na Estrada de Ferro Vitória a Minas e na Ferrovia Minas-Rio.
Em Pirapora, no Norte de Minas, a previsão é de implantação de terminais portuários e consolidação da Hidrovia do São Francisco entre Pirapora, Juazeiro e Petrolina. A ideia é ampliar as opções para transportar cargas e combinar diferentes meios de transporte.
Lítio coloca Jequitinhonha entre as apostas
O plano também tenta preparar a infraestrutura para novas atividades econômicas. No Vale do Jequitinhonha, a exploração de lítio aparece como uma oportunidade de desenvolvimento. A região está incluída em um corredor que prevê a expansão da BR-259/BR-367 entre Curvelo e Jequitinhonha e entre Jequitinhonha e Itagimirim, na Bahia.
A lógica é que estradas, ferrovias e hidrovias melhores possam reduzir o custo do transporte e ajudar a criar ou ampliar negócios. Para medir esses efeitos, o PNL usou um modelo econômico desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que estimou como a redução dos custos de transporte poderia afetar o PIB e a indústria de transformação.
O que é o PNL?
O PNL 2050 não trata de um plano de obras para ampliar estradas e ferrovias. O documento organiza as prioridades nacionais em três frentes: resolver problemas que já existem, antecipar gargalos que devem surgir até 2050 e usar a infraestrutura para estimular novas atividades econômicas.
A partir desse diagnóstico, o governo selecionou os principais corredores que deverão orientar os investimentos em transporte no país. A lista inclui rotas para o escoamento de produtos agrícolas e minerais, ligações com portos, integração entre diferentes meios de transporte e projetos voltados ao desenvolvimento de regiões com maior vulnerabilidade econômica.
O plano, portanto, funciona como uma bússola para os investimentos em infraestrutura de transportes. Ele mostra onde o governo entende que o país precisará ampliar sua capacidade logística nas próximas décadas. A transformação dessas prioridades em obras, porém, dependerá das próximas etapas de planejamento, dos estudos de viabilidade, da definição dos recursos e dos modelos de execução.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



