Setor de serviços registra estabilidade em junho com força da TI
Volume de serviços no Brasil teve variação nula no mês de junho, mas apenas os serviços de informação e comunicação tiveram ganhos

O volume de serviços no Brasil em junho ficou estável (0,0%) no mês de junho, se comparado com o mês imediatamente anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira (12). A variação nula mostrou maior disseminação de taxas negativas entre os setores, com queda em quatro das cinco atividades pesquisadas.
Entre os recuos, os profissionais administrativos e complementares (-1,4%) exerceram o maior impacto negativo no indicador, devolvendo parte do ganho acumulado entre abril e maio (3,0%). As demais retrações vieram de outros serviços (-2,2%), dos serviços prestados às famílias (-1,2%) e dos transportes (-0,1%).
Por outro lado, informação e comunicação (1,8%) mostrou o único avanço do setor em junho, terceiro resultado positivo seguido e ganho acumulado de 3,0% nos últimos três meses, com reflexo nos serviços de TI (2,2%). Apenas os serviços de TI são responsáveis por 56% do crescimento do setor de serviços observado até o momento em 2026.
Se comparado com junho de 2025, o setor cresceu 2,0%, o 27º resultado positivo consecutivo. No acumulado do ano, o crescimento também é de 2,0%, frente a igual período de 2025. Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, tanto componentes de oferta quanto de demanda tiveram desempenho fraco em junho.
“De modo geral, vemos o setor de serviços seguir a tendência geral da atividade econômica, que é de moderação. De acordo com a PMS, o setor avançou 0,4% no 2º trimestre de 2026 e, portanto, terá baixa contribuição para o crescimento do PIB no período, apresentando uma taxa bem menor que a observada no 2o trimestre de 2025, quando o setor cresceu 1,2%, também de acordo com a PMS”, ressaltou.
Para Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, a estabilidade surpreendeu positivamente o mercado, uma vez que a expectativa era de queda de 0,2% no mês. Porém, a perspectiva é de desaceleração nos próximos meses.
“O alto endividamento das famílias, que tende a limitar o orçamento e a taxa de juros ainda em patamares bastante restritivos. Porém, essa desaceleração deve ser limitada pelos efeitos expansionistas dos repasses fiscais promovidos pelo Governo”, ressaltou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



