Rio de Janeiro suspende serviços e muda rotina por causa de ciclone-bomba
Estado enfrenta nesta sexta-feira (7) os impactos de um ciclone-bomba, com ventos intensos, suspensão de atividades e fechamento de locais públicos

O estado do Rio de Janeiro enfrenta nesta sexta-feira (7) fortes ventos e mobilização em estágio de crise devido ao avanço de um ciclone-bomba. A previsão de rajadas que podem ultrapassar os 90 km/h levou à suspensão de aulas, fechamento de parques e alerta máximo na capital e em diversas cidades fluminenses. A Defesa Civil Nacional, inclusive, já havia feito alertas sobre o fenômeno que chega ao Brasil.
O fenômeno, que teve início na última quinta-feira (6), já causou eventos climáticos severos, incluindo a passagem de um tornado no Rio Grande do Sul e queda de granizo, e motivou novos alertas. A formação e avanço do ciclone-bomba no Sul do Brasil influenciam as condições meteorológicas em diversos estados do país, inclusive o Rio de Janeiro.
Diante do cenário, o governo do Estado do Rio de Janeiro instalou às 6h desta sexta-feira (7) um Gabinete de Crise para acompanhar a evolução das condições meteorológicas e coordenar a resposta dos órgãos estaduais.
A prefeitura do Rio de Janeiro havia suspendido as aulas da rede pública municipal na quinta-feira (6). A Faetec e a rede estadual também interromperam as atividades em todas as unidades como medida de segurança. Um dia após a emissão do alerta "severo" para ventos fortes, as redes municipais de ensino de Niterói, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Petrópolis, Itaguaí, Nilópolis, São João de Meriti, Queimados, Seropédica, Mangaratiba e Paraty também suspenderam as aulas. Além disso, a Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj) também adotou a medida. A suspensão de aulas no Rio e em outras cidades fluminenses é detalhada em matéria completa da Itatiaia sobre o tema.
O governo do Estado do Rio decretou ponto facultativo para os órgãos estaduais a partir das 13h desta sexta-feira (7), horário em que o estado avançou para o Estágio 3 de mobilização. Este estágio, de uma escala de cinco, significa que uma ou mais ocorrências já foram registradas e afetam a rotina da população.
Com o objetivo de reduzir a circulação de pessoas durante o período de maior intensidade das rajadas de vento, a decisão foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial. A medida é preventiva e acontece devido aos ventos fortes e aos possíveis impactos climáticos causados pelo ciclone-bomba que passa pelo país. A prefeitura do Rio e o governo do Estado do Rio de Janeiro divulgaram uma nota, no final da manhã desta sexta-feira (7), recomendando a antecipação do encerramento de todas as atividades não essenciais para resguardar a segurança dos cidadãos.
Para reforçar a recomendação, a Defesa Civil enviou um novo alerta georreferenciado para celulares na cidade do Rio de Janeiro. A mensagem orienta os moradores a evitarem deslocamentos e priorizarem a própria segurança, antecipando o retorno para casa.
O ICMBio determinou o fechamento do Parque Nacional da Tijuca, onde fica o Cristo Redentor, por conta das previsões. Os trens que levam os visitantes até o Cristo foram parados desde as 13h. O fechamento do parque inclui também unidades de conservação como Parque Lage, Setor Floresta da Tijuca, Vista Chinesa, Mesa do Imperador, Pedra da Gávea e Pedra Bonita. Detalhes sobre o fechamento de pontos turísticos no Rio foram divulgados pela reportagem da Itatiaia.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) também suspendeu as atividades presenciais em todos os campus, mantendo apenas os serviços essenciais.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou que não há motivo para pânico entre a população carioca diante da passagem do ciclone-bomba que influencia as condições meteorológicas em diferentes estados do país. Ele reforçou a necessidade de adotar medidas preventivas e evitar deslocamentos, declarando em coletiva de imprensa que "Não há motivo para pânico. É muito importante que tenha tranquilidade para se proteger e fazer o retorno para casa de forma gradativa". Segundo ele, até o fim da manhã, a cidade não havia registrado grandes ocorrências relacionadas às condições meteorológicas.
Após a passagem do ciclone e da frente fria, a entrada de uma massa de ar frio deve provocar uma queda nas temperaturas. O frio deve se intensificar no Sul a partir do domingo (9) e avançar para áreas do Centro-Oeste e Sudeste nos dias subsequentes.
As autoridades recomendam que a população acompanhe as atualizações meteorológicas, já que a trajetória e a intensidade do sistema podem sofrer ajustes conforme o fenômeno evolui.
A iniciativa das autoridades foi tomada após a confirmação de rajadas de vento que atingiram 74 km/h na Costa Verde no fim da manhã desta sexta-feira (7), confirmando as previsões de ventos que podem chegar a 90 km/h. Diante do cenário meteorológico, a capital fluminense entrou em Estágio 2 de risco. A Defesa Civil também enviou alertas georreferenciados para celulares recomendando evitar deslocamentos desnecessários.
Órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Defesa Civil e o Cemaden-RJ atuam em monitoramento constante, enquanto hospitais estaduais estão em prontidão. A instabilidade deve aumentar no fim de semana com a aproximação de frentes frias. Já na sexta-feira (7), uma frente fria deve trazer ventos ainda mais tensos, com rajadas que podem ultrapassar os 76 km/h, além de chuva isolada à noite.
O fenômeno, tecnicamente chamado de ciclogênese explosiva ou bombogênese, ocorre quando um sistema de baixa pressão atmosférica se intensifica de forma muito rápida. Ele recebe esse nome pela forma explosiva como se origina. Para receber a classificação, a pressão central do sistema deve cair pelo menos 24 milibares em um período de 24 horas. O processo acontece principalmente em regiões de alta latitude, onde massas de ar muito frias encontram massas de ar mais quentes.


