'É difícil reverter sobretaxa dos EUA', diz ex-diretor da OMC
Roberto Azevêdo afirmou que a mensagem do governo norte-americano é clara sobre a implementação das taxas de 25% sobre produtos brasileiros

O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou nesta segunda-feira (6) ser "muito difícil" que o Brasil consiga reverter a imposição dos Estados Unidos de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil.
"Estive recentemente no Departamento de Estado e no USTR, e a mensagem que recebi foi muito clara: os impostos e as taxas serão implementados. Acho muito difícil que, nesta altura, consigamos reverter essa decisão", afirmou o diplomata.
Azevêdo avaliou que a tarifa adicional faz parte de uma estratégia do governo norte-americano para fortalecer a indústria doméstica e ampliar a arrecadação. Segundo o ex-membro da OMC, a medida está alinhada ao discurso do presidente Donald Trump, que defende o aumento das taxas de importação como forma de estimular investimentos produtivos no país.
Para Azevêdo, ao encarecer produtos importados, a expectativa da administração norte-americana é incentivar empresas a instalar ou ampliar fábricas nos EUA, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros.
"É uma medida que foi criada para justificar o aumento das tarifas. O presidente Trump, desde o começo, disse que gostaria de subir as tarifas por dois motivos centrais. O primeiro era provocar ou viabilizar a reindustrialização dos Estados Unidos. O outro motivo é aumentar a arrecadação para compensar os subsídios e estímulos ao setor produtivo norte-americano", explicou.
A audiência pública entre representantes do setor produtivo e o governo dos Estados Unidos para discutir as novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros começou nesta segunda-feira (6), às 11h (horário de Brasília). A discussão sobre as tarifas dos EUA é recomendada pelo USTR.
As novas alíquotas são resultado da investigação conduzida com base na Seção 301, que aponta o suposto favorecimento ao Pix, acordos comerciais preferenciais, etanol, desmatamento, corrupção e pirataria como justificativas para a imposição de novas tarifas contra o Brasil. Esta tarifa em produtos brasileiros, segundo análises, pode gerar impactos significativos na economia.

Entre esta segunda-feira (6) e terça-feira (7), representantes dos setores brasileiros afetados, assim como integrantes do setor produtivo americano, terão a última oportunidade de defender medidas menos severas antes da decisão final, prevista para o próximo dia 15. Políticos brasileiros também buscam discutir a tarifa e seus impactos.
A audiência acontece na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, e será dividida em 14 painéis. Os primeiros sete painéis foram realizados nesta segunda-feira, a partir das 11h (horário de Brasília, 10h em Washington), enquanto os sete restantes começam às 11h de terça-feira, também no horário de Brasília.
Representantes dos setores brasileiros afetados, assim como importadores, distribuidores, indústrias, associações, federações, câmaras de comércio, consultorias, escritórios especializados, entidades de representação econômica e demais participantes inscritos que possam apresentar argumentos técnicos e objetivos sobre os impactos das tarifas contarão com cinco minutos para apresentar um resumo executivo em defesa da cadeia produtiva que representam.
O processo também prevê momentos para questionamentos, que poderão ser feitos pelo próprio USTR, seguidos das respectivas respostas das entidades participantes.
Os preparativos para as audiências começaram ainda no mês passado. Os interessados tiveram até o dia 22 de junho para solicitar participação no processo e até 1º de julho para encaminhar manifestações por escrito, que servirão de base para as apresentações.
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