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Banco Central cita El Niño, política fiscal e petróleo em decisão sobre juros

Apesar da queda, o Comitê manteve cautela sobre futuros cortes, indicando que a convergência da inflação à meta ainda é incerta, com riscos elevados.

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Fachada do Banco Central • Marcelo Camargo | Agência Brasil

O Banco Central (BC) anunciou, nesta quarta-feira (5), um corte de 0,25 ponto percentual nos juros, reduzindo a taxa Selic para 14% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, foi divulgada em comunicado oficial, e representa mais uma queda na taxa básica de juros, conforme noticiado anteriormente pela Itatiaia.

O Comitê de Política Monetária (Copom), responsável pela decisão, justificou o corte mencionando incertezas. Entre os fatores citados, estão os efeitos do fenômeno El Niño na produção agrícola, os impactos da política fiscal e os choques causados pela variação do preço do petróleo, em razão dos conflitos no Oriente Médio.

No comunicado, o BC foi cauteloso sobre os próximos passos, evitando prever o resultado do encontro de setembro. A instituição indicou que "a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta", demonstrando que o Copom deixa próximos cortes em aberto e ressalta incerteza.

O BC ressaltou que "o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária". O Comitê reafirmou que acompanhará a evolução do cenário para "manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta".

Ainda sobre os fatores externos, o Banco Central apontou que o ambiente global permanece incerto devido aos conflitos armados no Oriente Médio e à indefinição da política monetária em economias avançadas. Este cenário exige cautela de países emergentes, com elevação na volatilidade dos preços de ativos e commodities.

Internamente, os indicadores desde a última reunião do Copom mostram uma moderação gradual na atividade econômica. Apesar de resiliente, há sinais mistos entre os setores e o mercado de trabalho segue aquecido. A inflação cheia, por sua vez, desacelerou, mas permanece acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes estão ligeiramente abaixo.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027, conforme a pesquisa Focus, ainda estão acima da meta, em 5,0% e 4,2%. Para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante para a política monetária, a projeção do Copom é de 3,2%, demonstrando que o cenário de inflação piorou e convergência à meta pode ser apenas em 2028.

O Copom avalia que os riscos para a inflação, tanto para cima quanto para baixo, estão mais altos que o normal, com uma "assimetria altista". Os principais riscos de alta incluem a desancoragem das expectativas de inflação, a resiliência da inflação de serviços, a conjunção de políticas econômicas com impacto inflacionário maior que o esperado (como a depreciação do câmbio) e estímulos à demanda que levem a um crescimento acima do potencial. Por outro lado, os riscos de baixa envolvem uma desaceleração econômica doméstica mais forte que o previsto, uma desaceleração global mais pronunciada e a redução dos preços das commodities.

O Comitê também está atento aos impactos da política fiscal doméstica na política monetária e nos ativos financeiros, mantendo a cautela. Os indicadores de atividade econômica apontam para uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, e a desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo é monitorada de perto, pois influencia a formação de preços e o custo de desinflação.

Em suma, diante da complexidade dos riscos de preços, o Copom reafirmou que a "magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta".

A decisão de reduzir a taxa básica de juros para 14,00% ao ano, segundo o Copom, é compatível com a estratégia de levar a inflação para a meta. Além de buscar a estabilidade de preços, a medida visa suavizar as flutuações na atividade econômica e promover o pleno emprego.

Os membros do Comitê que votaram pela decisão foram: o presidente Gabriel Muricca Galípolo, Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

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