Banco Central corta juros pela quarta vez em 2026; Selic vai a 14%
Decisão confirma projeções do mercado financeiro, que aposta em mais um corte de 0,25 p.p até o fim do ano

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu realizar o quarto corte de 0,25 ponto percentual (p.p) na taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira (5). Com a medida, os diretores da autoridade monetária reduziram os juros de referência do mercado de 14,25% ao ano para 14,00% ao ano.
A decisão já era esperada pelo mercado financeiro, segundo projeções do boletim Focus divulgado pela autoridade monetária na última segunda-feira (3). Por outro lado, a dúvida do mercado reside na continuidade do ciclo de cortes, uma vez que o boletim de segunda-feira revelou a projeção de mais uma redução de 0,25 p.p no ano pela primeira vez nas últimas cinco semanas.
"O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", disse o comunicado do Copom.
O corte ocorre em um cenário de inflação mais controlada e queda nas expectativas, mesmo com a crise no Oriente Médio elevando o preço dos combustíveis. O último indicador do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou uma desaceleração da inflação com uma alta de 0,16% em julho, ante um avanço de 0,58% em junho.
Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,36% no ano e de 4,64% nos últimos 12 meses, pouco acima do teto da meta de 4,5%, considerando o intervalo de 1,5 p.p para mais ou para menos. O bom momento faz com que o mercado reajuste a rota, projetando uma inflação a 5,03% no ano, ainda longe do teto de 4,5% da meta, considerando o intervalo de 1,5 p.p para mais ou menos.
Cenário ainda é de cautela
Apesar do bom momento, o comunicado do Copom ressalta que o cenário ainda é de cautela e deixa o ciclo de cortes em aberto. De acordo com o colegiado, o ambiente externo permanece incerto em função dos conflitos armados no Oriente Médio e a política monetária das maiores economias, apesar de não citar diretamente os Estados Unidos.
Em relação ao cenário doméstico, o comitê afirmou que os indicadores divulgados sugerem uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente e com sinais mistos entre setores. Os diretores da autoridade monetária também ressaltaram a inflação acima do limite superior da meta, e o desenvolvimento da política fiscal do governo federal."
"Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta. (...) O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária", declarou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



