Mercado projeta novo corte de juros em reunião do Copom nesta quarta (5)
Indicadores econômicos revelam moderação na atividade e estimulam aposta por corte de 0,25 ponto percentual na Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom-BC) vai decidir, nesta quarta-feira (5), o novo patamar da taxa básica de juros brasileira, a Selic. Com sinais de maior controle do processo inflacionário e desaceleração da economia, especialistas do mercado financeiro projetam mais um corte de 0,25 ponto percentual (p.p), causando uma redução nos juros de referência de 14,25% para 14% ao ano.
O último indicador do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou uma desaceleração da inflação com uma alta de 0,16% em julho, ante um avanço de 0,58% em junho. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,36% no ano e de 4,64% nos últimos 12 meses, pouco acima do teto da meta de 4,5%, considerando o intervalo de 1,5 p.p para mais ou para menos.
A melhora no cenário fez com que o mercado financeiro reduzisse as expectativas para os juros neste ano, segundo dados do Boletim Focus publicados pelo Banco Central nesta segunda-feira (3). A previsão para a Selic foi reduzida de 14% nas últimas cinco semanas, para 13,75% ao ano, com o corte de 0,25 p.p mantido para agosto.
O mercado também ajustou as expectativas para a inflação, que foram reduzidas de 5,12% na semana passada para 5,03% - a quinta semana de queda do indicador. Para 2027, a expectativa se manteve em 4,22%. Já para 2028, está em 3,8%.
Cautela
De acordo com Gustavo Assis, CEO da Asset, é excessivo tratar o corte de 0,25 p.p como completamente consolidado. Segundo ele, a melhora na inflação corrente e o recuo de 1,8% da produção industrial em junho, ante expectativa de queda de 0,7%, oferece uma evidência mais clara de perda de força da atividade.
“Por isso, a manutenção da Selic em 14,25% seria uma alternativa minoritária, porém tecnicamente defensável caso o Copom queira ganhar tempo para confirmar a tendência de desinflação. A redução da projeção do Focus para 13,75% no fim do ano indica que o mercado começou a admitir mais algum espaço para flexibilização, mas não autoriza projetar 13% automaticamente”, explicou.
Para André Valério, economista sênior do Banco Inter, o sinal de recuo na produção industrial mostra que os dados da atividade conjuntamente sugerem moderação do crescimento, o que contribui para o Copom continuar o ciclo de cortes na Selic. “Esperamos novo corte de 25 pontos base amanhã e em todas as reuniões restantes desse ano, levando a Selic a 13,25% ao final de 2026”, destacou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



