Copom deixa novos cortes na Selic em aberto e ressalta incerteza na economia
Comitê do Banco Central promoveu o quarto corte em 2026 na taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira (5)

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14% nesta quarta-feira (5). Apesar de ser o quarto corte do ciclo, o colegiado deixou em aberto a continuidade do afrouxamento dos juros e afirmou que o cenário na economia brasileira ainda é de “elevada incerteza”.
De acordo com o colegiado, o ambiente externo permanece incerto em função dos conflitos armados no Oriente Médio e a política monetária das maiores economias, apesar de não citar diretamente os Estados Unidos. Segundo o grupo, esse cenário exige cautela de países emergentes em razão da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário doméstico, o comitê afirmou que os indicadores divulgados sugerem uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente e com sinais mistos entre setores. Os diretores da autoridade monetária também ressaltaram a inflação acima do limite superior da meta, e o desenvolvimento da política fiscal do governo federal.
"Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta. (...) O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária", diz o Copom.
O corte ocorre em um cenário de melhora nas expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O último indicador do IPCA mostrou uma desaceleração da inflação com uma alta de 0,16% em julho, ante um avanço de 0,58% em junho.
Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,36% no ano e de 4,64% nos últimos 12 meses, pouco acima do teto da meta de 4,5%, considerando o intervalo de 1,5 p.p para mais ou para menos. O bom momento faz com que o mercado reajuste a rota, projetando uma inflação a 5,03% no ano, ainda longe do teto de 4,5% da meta, considerando o intervalo de 1,5 p.p para mais ou menos.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



