Acordo Mercosul-UE promete reduzir preços de vinhos, azeites e chocolates europeus

Tratado de livre comércio entre a América do Sul e a Europa foi oficialmente assinado neste sábado (17)

Economias envolvidas somam US$ 22,3 trilhões

A assinatura do histórico acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), realizada neste sábado (17), promete impactar o mercado de consumo no Brasil. O tratado, que envolve 27 nações europeias, abre caminho para que produtos importados como vinhos, azeites, queijos e chocolates, cheguem às prateleiras brasileiras com preços significativamente reduzidos.

O tratado é um processo diplomático que durou 26 anos, iniciado em 1999. Com sua implementação, será criada uma das maiores zonas de livre-comércio do planeta, com mais de 720 milhões de consumidores integrados. As economias envolvidas somam US$ 22,3 trilhões.

Azeite, vinho, queijo e chocolates

Veja abaixo alguns exemplos de produtos europeus que deverão chegar mais baratos ao Brasil ao longo dos próximos anos:

  • Azeite - hoje paga 10% de tarifa e passará a pagar zero após redução gradual
  • Vinho - hoje paga 35% de tarifa e passará a pagar zero após redução gradual (ao longo de 8 a 12 anos)
  • Outras bebidas (exceto vinho) - hoje pagam até 35% de tarifa e passará a pagar zero após redução gradual
  • Chocolate - hoje paga 20% de tarifa e passará a pagar zero após redução gradual
  • Queijo - hoje paga 28% de tarifa e passará a pagar zero, até uma cota de 30 mil toneladas
  • Leite em pó - hoje paga 28% de tarifa e passará a pagar zero, até uma cota de 10 mil toneladas
  • Fórmula para bebês - hoje paga 18% de tarifa e passará a pagar zero, até uma cota de 5 mil toneladas

Impacto nas exportações do Mercosul para a UE

O “caminho de volta” também traz vantagens competitivas para o produtor do Mercosul. O acordo estabelece que o mel e a carne de aves passem a ter tarifa zero para exportação em um prazo de cinco anos, respeitando os limites de 45 mil e 180 mil toneladas anuais, respectivamente.

Já a carne bovina, um dos principais produtos da pauta de exportação brasileira, passará a pagar uma tarifa reduzida de 7,5% para um volume de até 99 mil toneladas por ano. O setor de biocombustíveis também foi contemplado: o etanol destinado à indústria química terá isenção total de impostos para uma cota de 450 mil toneladas anuais.

Salto no PIB

O acordo não é apenas sobre o que chega ao supermercado. Somadas, as economias dos dois blocos representam um PIB de US$ 22,3 trilhões.

  • Para o Brasil: O setor de agronegócio deve ser o maior beneficiado, com maior facilidade para exportar carnes, suco de laranja e café para o exigente mercado europeu.
  • Para a Europa: O foco está na exportação de tecnologia, máquinas e automóveis, que também devem ter suas taxas reduzidas, modernizando o parque industrial sul-americano.
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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