No balanço geral, chuvas de pedras no sul de Minas não afetaram a produção de café
As chuvas de pedras caíram mais fortes nas regiões de Boa Esperança e Ilicínia

Amigas e amigos do agro!
Alguns cafeicultores tiveram grandes perdas em suas pequenas ou médias propriedades, principalmente em Boa Esperança e Ilicínea. As chuvas de pedra costumam atingir uma faixa dentro da região produtora. Então, quem estiver nessa faixa pode ter perdas significativas, o que é lamentável, porque os produtores passam praticamente um ano investindo e trabalhando na expectativa de uma boa colheita e, de repente, o clima vem na contramão. É o que me disse o assessor da Cooxupé, Jorge Florêncio, que comanda a assessoria de imprensa da maior cooperativa de café do mundo e é assessor direto do presidente Carlos Augusto de Melo.
Entretanto, apesar dos prejuízos isolados, na somatória geral as perdas foram normais e pouco significam na contagem geral da produção. O próprio mercado internacional, como a Bolsa de Nova Iorque, não mostrou alta no preço do café. Houve pequenas oscilações diárias no mercado que nem chegam ao bolso do consumidor.
Produtores e exportadores de café estão preocupados com as ameaçadoras tarifas de Donald Trump, principalmente sobre o café solúvel, que continua tarifado. É um momento de apreensão no mercado porque a colheita é grande, tanto do café arábica, cujo domínio é mineiro, quanto do conilon, mais produzido em Rondônia e no Espírito Santo. E os compradores pisam no freio, à espera de novas quedas no mercado.
E não podemos nos esquecer de que há riscos de novas chuvas fortes e geadas nos próximos 30 dias. Além disso, a atuação do fenômeno El Niño pode afetar a próxima florada do café, comprometendo a safra do ano que vem.
Aqui não há nada de pessimismo ou sensacionalismo! O mercado funciona assim em qualquer parte do planeta, ainda mais com o café, que é um produto consumido no mundo inteiro e com uma produção equivalente ao consumo mundial.
Como a recomposição dos estoques mundiais está prevista para 2028, caso não haja nenhuma interferência climática de maior gravidade, muito em breve a saca de café vai recuperar valor no mercado, só que nunca atingirá os patamares de R$ 2,6 mil como aconteceu no início do ano passado.
Pois é! O cafezinho é bom demais, porém, se esquenta muito, queima a língua!
Itatiaia Agro
Valdir Barbosa
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.
