Lotus no Brasil: levamos os SUVs e esportivos para a pista
Fabricante aposta no Emira, 100% raiz, e no utilitário Eletre com 918 cv de potência

A Lotus, ligada emocionalmente aos brasileiros pelo mundo da F1, com o título de Emerson Fittipaldi em 1972 e a primeira vitória de Ayrton Senna em 1985,
finca a bandeira inglesa no mercado brasileiro. A operação terá poucos pontos de venda e uma gama formada por modelos de alto desempenho. Na estreia, o importador apresentou três carros em cinco versões, com potências que variam de 406 cv a impressionantes 918 cv.
A montadora, que faz parte do Grupo Geely, não terá a sua operação conduzida pelo conglomerado chinês, sócio da Renault no Brasil. A representação ficará a cargo da Bamaq, empresa mineira do CEO Clemente Faria Jr., com experiência no segmento premium das marcas Mercedes-Benz, Porsche e GWM.
Inicialmente no país, a Lotus terá dois pontos de venda em São Paulo: um na capital e outro em Porto Feliz. A inglesa também prevê a instalação de uma unidade de maior porte até o fim de 2027 como loja-conceito.
Em Mogi Guaçu, no autódromo de Velocitta, dirigimos a gama que entrega, no Emira Turbo, por exemplo, a melhor conexão homem, máquina, mecânica e suspensão. Nessa ordem. Por lá, ainda levamos para o circuito o surpreendente SUV elétrico que carrega no nome “Eletre”, a assinatura da força com 918 cv de potência.
Entre retas, curvas, frenagens e sonhadas duas voltas por veículo, hora de dizer o que os carros oferecem.
O esportivo Emira e o SUV elétrico Eletre chegam em duas versões cada. A linha é completada pelo Emeya, de perfil mais baixo e esportivo, oferecido em configuração única.
Confira os modelos:
Lotus Emira Turbo SE — R$ 1.030.000
As duas versões do Emira são as únicas da gama brasileira sem eletrificação. Seria o último Lotus raiz? Sim. 100% a combustão e irretocável. No Turbo SE, o motor fica em posição central, a tração é traseira e a carroceria mantém as proporções baixas típicas de um esportivo.
O conjunto utiliza um motor 2.0 de quatro cilindros com turbo twin-scroll, capaz de entregar 406 cv e 48,9 kgfm de torque. A força é enviada às rodas traseiras por uma transmissão automatizada de dupla embreagem e oito marchas.
O Emira Turbo SE acelera de 0 a 100 km/h em 4 segundos e pode atingir 291 km/h. Fácil de chegar quando a habilidade permite e a coragem de acelerar, com segurança, na pista está em ordem. A tecnologia refletida nas telas da mídia central, painel e auxílio de condução corrige o condutor em praticamente tudo.
O esportivo pesa 1.530 kg e mede 4,41 metros de comprimento, 2,09 m de largura e 1,23 m de altura. O entre-eixos é de 2,57 m.
Lotus Emira V6 SE — R$ 1.230.000
A segunda configuração do Emira mantém os 406 cv, mas aposta em uma receita bem mais tradicional e mais cara. O conjunto de força cresce.
No lugar do quatro-cilindros turbo entra um motor 3.5 V6 supercharged, que desenvolve 42,8 kgfm de torque e trabalha associado a uma transmissão manual de seis marchas.
O modelo acelera de 0 a 100 km/h em 4,3 segundos e alcança 290 km/h. O peso não é tão diferente e sobe para 1.568 kg, enquanto as dimensões permanecem praticamente iguais às do Turbo SE: 4,41 m de comprimento, 2,09 m de largura, 1,23 m de altura e 2,57 m de entre-eixos.
E por que pagar R$ 200 mil a mais por uma versão que, no papel, entrega menos torque e uma aceleração ligeiramente inferior?
A resposta está menos nos números e mais na experiência. O V6 SE ocupa um posicionamento mais exclusivo e preserva elementos cada vez mais raros entre os esportivos modernos: motor 3.5 V6 supercharged, câmbio manual de seis marchas e uma proposta claramente voltada ao envolvimento de quem está ao volante.
Lotus Eletre 600 — R$ 795 mil
O Eletre 600 é o carro mais barato da gama Lotus no Brasil. E o curioso é que, apesar das dimensões de SUV, o veículo tem números de desempenho que, até poucos anos atrás, seriam exclusividade dos superesportivos, e ele cola na pista. Fica devendo quando você dirige a versão Carbon 900. Mas aqui é outra história.
O conjunto formado por dois motores elétricos, um em cada eixo, desenvolve 612 cv e 72,4 kgfm de torque, com tração integral. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 4,5 segundos.
O Eletre 600 utiliza uma bateria de 112 kWh e tem autonomia anunciada de até 600 km pelo ciclo WLTP. Mas, na prática, o que digo ao leitor é dizer que, necessariamente, seus números serão diferentes desses porque vai dar vontade de pisar firme, mesmo que de leve. Nesse caso, abuse do torque, mas respeite o limite da via local.
O SUV mede 5,10 m de comprimento, 2,02 m de largura e 1,63 m de altura. O entre-eixos é de 3,02 m.
Lotus Eletre 900 — R$ 995 mil
No Eletre 900, a conversa muda de patamar. E, se vou opinar, que seja para ser essa a escolha mais familiar e não menos forte.
São nada menos que 918 cv e 100,5 kgfm de torque. Com esse conjunto, o grande SUV elétrico acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,95 segundos e alcança velocidade máxima de 265 km/h.
O carro utiliza uma bateria de 112 kWh e arquitetura elétrica de 800 volts. Em carregadores rápidos de corrente contínua, a potência de recarga pode chegar a 350 kW.
A autonomia divulgada para a versão é de até 490 km pelo ciclo WLTP e faz todo sentido. O carro é um provocador de sorrisos.
Apesar do desempenho com assinatura de superesportivo, o Eletre de 5,10 m de comprimento, 2,02 m de largura, 1,64 m de altura e 3,02 m de entre-eixos agrada bastante. A suspensão é aula da Lotus, mesmo diante do peso que chega a 2.710 kg.
Lotus Emeya 900 — R$ 975 mil
O Emeya segue uma proposta diferente dentro da nova geração elétrica da Lotus. Um carro mais comportado que imprime o estilo de um sedã-coupé.
A mecânica utiliza dois motores elétricos que, juntos, entregam a mesma força do Eletre com acabamento de carbono e desenvolvem 918 cv e 100,5 kgfm de torque. A tração é integral.
O resultado é uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,7 segundos. O Emeya mede 5,14 m de comprimento, 2,01 m de largura e tem 3,07 m de entre-eixos.
A bateria possui capacidade de 102 kWh e, em condições ideais de recarga, a Lotus informa que é possível elevar o nível da bateria de 10% a 80% em aproximadamente 15 minutos.
Com Emira, Eletre e Emeya, a Lotus entrega cabines com acabamento exclusivo, cintos personalizados, alcantara, materiais nobres e requinte que está associado ao modo esporte.
A marca permanecerá exclusiva no país, seletiva e com baixo volume para tornar os carros atrações de ruas e garagens.
Jornalista, creator, diplomado pela Universidade Católica de Pernambuco, técnico em mecânica e premiado como um dos mais admirados do setor automotivo do país. Atua no segmento desde 1995 e está presente nas principais coberturas de lançamentos e salões nacionais e internacionais.























