GM pede 'igualdade de condições' com chinesas e reafirma investimento de R$ 10,5 bi
Apesar do cenário competitivo desafiador, a GM mantém um plano robusto de expansão com um novo ciclo de investimentos

A General Motors (GM) defende que o governo brasileiro priorize a indústria nacional e garanta “igualdade de condições” para enfrentar a crescente concorrência das montadoras chinesas. Em entrevista à Itatiaia durante o Rio Innovation Week, Fábio Rua, vice-presidente da GM para a América do Sul, ressaltou que a empresa possui 80% de peças nacionais em seus veículos e investe em pesquisa e desenvolvimento local (com geração de emprego e renda), pleiteando que o governo valorize quem produz no país em vez de apenas importar.
“A gente roga sempre que a indústria seja prioritária pelo governo (...) a indústria tem que ser uma prioridade”, afirmou o executivo.
Apesar do cenário competitivo desafiador, a GM mantém um plano robusto de expansão com um novo ciclo de investimentos de R$ 10,5 bilhões entre 2024 e 2028. O montante será destinado à renovação das fábricas e do portfólio, incluindo o lançamento de veículos híbridos e elétricos. Segundo Rua, a fabricante demonstra resiliência ao registrar um aumento de 45 mil unidades na produção apenas no primeiro semestre deste ano.
Obstáculos à eletrificação
Para que a eletrificação avance na América do Sul, o executivo aponta que é necessário superar gargalos de infraestrutura e regulamentação. Rua destacou a necessidade de diretrizes para que edifícios residenciais e comerciais possam instalar pontos de recarga. “A gente tem desafios, sim, de infraestrutura, tem desafios de potência de energia... a gente tem as estações de recarga, mas não necessariamente tem a habilidade para recarregar os carros”, explicou.
No entanto, ele ponderou que a autonomia atual já é satisfatória para o uso urbano, citando modelos que rodam até 600 km com uma única carga.
Inteligência artificial
A aposta tecnológica da GM para se diferenciar foca na experiência interna do usuário por meio da Inteligência Artificial generativa. Em parceria com o Google, a montadora utiliza o Gemini para permitir interações por linguagem natural, transformando o carro em um assistente pessoal.
Fábio Rua prevê que, em breve, tarefas como enviar mensagens, e-mails e realizar transações bancárias serão feitas totalmente por voz. “A visão hoje é muito menos o motor que vai impulsionar o carro e muito mais a experiência que o usuário vai ter dentro do cockpit”, afirmou, reforçando que essa evolução torna a direção “muito mais segura, muito mais divertida”.
Crescimento no mercado
Os números recentes da companhia no Brasil acompanham o otimismo dos investimentos. De janeiro a julho deste ano, a GM registrou um crescimento de 18% nas vendas no mercado brasileiro. Para o executivo, a força da marca, que completou 100 anos no país, reside na capacidade de atravessar diferentes ciclos econômicos: “A gente já passou por todos os ciclos políticos, econômicos de mercado que fazem com que a gente tenha a resiliência e a força para mostrar que viemos”.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.


