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Sete em cada dez carros no Brasil circulam sem seguro

Alta nos custos de reparo e maior presença de tecnologia nos veículos tornam acidentes pequenos cada vez mais caros

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Levantamento mostra que a localização do veículo influencia diretamente no preço do seguro • Joédson Alves/Agência Brasil

Sete em cada dez carros circulam sem cobertura de seguro no Brasil, segundo levantamento da Saga Seguros. O cenário chama a atenção especialmente diante do aumento dos custos de reparação, impulsionado tanto pela valorização dos veículos novos e das peças quanto pela maior quantidade de equipamentos tecnológicos incorporados aos automóveis.

Segundo especialistas do setor, a combinação de carros mais caros e reparos mais complexos reforça a importância do seguro como ferramenta de proteção financeira. Apesar da baixa adesão em relação ao tamanho da frota nacional, o mercado de seguros automotivos deve continuar crescendo.

• Shutterstock
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De acordo com a Saga Seguros, as seguradoras movimentaram aproximadamente R$ 61,6 bilhões em prêmios em 2025. Para 2026, a expectativa é de crescimento de cerca de 7,7%.

Tecnologia deixa reparos mais caros

A evolução tecnológica dos automóveis também mudou o impacto financeiro de acidentes. Itens que se tornaram comuns em veículos novos, como faróis full LED, sensores de estacionamento, câmeras, retrovisores elétricos e sistemas eletrônicos, podem elevar significativamente o preço de um reparo.

Detalhe do farol com LEDs triplos do Nissan Kait • Divulgação | Nissan
Detalhe do farol com LEDs triplos do Nissan Kait • Divulgação | Nissan

Um farol full LED pode custar entre R$ 3 mil e R$ 7 mil, enquanto um para-choque equipado com sensores de estacionamento pode superar os R$ 5 mil, destaca Mayara Xavier, gerente da Saga Seguros. Na avaliação da executiva, uma colisão aparentemente simples, ocorrida em baixa velocidade, pode gerar um prejuízo maior do que o valor desembolsado pelo proprietário durante um ano inteiro de seguro.

Os acidentes continuam sendo frequentes nas estradas brasileiras. Conforme o boletim anual de sinistros citado pela empresa, 84.154 acidentes de trânsito foram registrados nas rodovias brasileiras em 2025.

Seguro contra terceiros ganha importância

A preocupação não está restrita aos danos provocados no próprio veículo. A cobertura contra terceiros também vem ganhando relevância na decisão de contratar um seguro. Em uma colisão envolvendo outro automóvel, por exemplo, o motorista pode ser responsabilizado pelo reparo do veículo atingido. Dependendo da gravidade do acidente, também podem surgir despesas médicas, indenizações e até processos judiciais.

Frota veicular brasileira tem idade média de 11 anos • Freepik
Frota veicular brasileira tem idade média de 11 anos • Freepik

Por isso, segundo o levantamento da Saga Seguros, parte dos consumidores tem optado por manter ao menos as coberturas consideradas essenciais, mesmo quando precisa reduzir os gastos com a apólice.

Motoristas estão reduzindo a cobertura

Em vez de simplesmente cancelar o seguro, muitos proprietários estão adotando uma estratégia intermediária: contratar apólices mais enxutas. Uma das alternativas é aumentar o valor da franquia e abrir mão de coberturas adicionais, como carro reserva e proteção para vidros. Dessa forma, o consumidor mantém garantias consideradas mais importantes, como proteção contra roubo, furto, perda total, danos a terceiros e assistência 24 horas.

De acordo com a Saga Seguros, dependendo do perfil do cliente, uma apólice com esse formato pode custar até 40% menos do que um seguro completo.

Mercado aposta em seguros personalizados

A expectativa da Saga Seguros é de continuidade do crescimento do setor, especialmente com a oferta de produtos mais flexíveis e personalizados. Entre as tendências estão a expansão da contratação digital e a criação de planos ajustados ao perfil de utilização de cada motorista. A ideia é permitir que o consumidor escolha as coberturas que realmente considera necessárias, evitando pagar por serviços que não pretende utilizar.

Na hora de contratar o seguro, especialistas recomendam que o consumidor não considere apenas o preço final da apólice. É importante verificar também o valor da franquia, a cobertura para terceiros, a assistência 24 horas e as exclusões previstas no contrato.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

 

 

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