Chery anuncia cinco novas marcas e mira 500 mil carros por ano no Brasil
Grupo chinês quer repetir estratégia de conglomerados como a Stellantis e chegar à liderança do mercado brasileiro até 2031

O Grupo Chery prepara uma ousada ofensiva no mercado brasileiro com o lançamento de cinco novas marcas no país nos próximos três anos e estabelecer uma operação multimarcas semelhante à estratégia adotada pela Stellantis, que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram.
A meta é ambiciosa: vender 500 mil veículos por ano no Brasil a partir de 2031 e, com isso, disputar a liderança do mercado nacional. Atualmente, o grupo já atua no país com Omoda & Jaecoo e Jetour. A marca Chery segue sob administração da Caoa, que comercializa os SUVs da família Tiggo montados em Anápolis-GO.

As cinco marcas que serão incorporadas à operação brasileira são iCAUR, Lepas, Exeed, Freelander e Luxeed. A primeira a desembarcar será a iCAUR, com foco em SUVs de visual robusto e propulsão eletrificada.
iCAUR estreia com SUVs elétricos
A iCAUR (pronuncia-se "aicar") será apresentada oficialmente no Brasil durante o Festival Interlagos, que será realizado entre os dias 27 e 30 de agosto, em São Paulo. As vendas, porém, estão previstas apenas para o primeiro trimestre de 2027.
A marca aposta principalmente em veículos elétricos de autonomia estendida. Nesse sistema, o motor a combustão não movimenta diretamente as rodas, funcionando como gerador para recarregar a bateria que alimenta os motores elétricos. Segundo a empresa, alguns modelos poderão superar 1.000 km de autonomia combinada.

Um dos primeiros produtos da marca a aparecer no Brasil é o V27, SUV de mais de 5 metros de comprimento, equipado com motor 1.5 turbo utilizado como gerador, bateria de 34,3 kWh e dois motores elétricos que entregam o equivalente a 455 cv de potência. Com tração integral, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 6 segundos.
Outro modelo confirmado é o V23, SUV compacto elétrico de 4,22 metros de comprimento e entre-eixos de 2,73 metros. Dependendo da configuração, o modelo pode oferecer entre 136 cv e 455 cv, enquanto a maior bateria terá 81,7 kWh. A gama ainda deverá incluir os SUVs V25 e V29.
Lepas terá SUVs de vários tamanhos
Outra novidade será a Lepas, marca criada em 2025 especificamente para mercados de exportação. A fabricante, que deve chegar em 2027, pretende oferecer uma linha completa de SUVs, abrangendo modelos compactos, médios, médio-grandes e grandes.

Os veículos serão identificados pelas siglas L2, L4, L6, L8 e L9, com opções de motorização a combustão, híbrida convencional, híbrida plug-in e elétrica.
Alguns produtos terão relação direta com modelos já conhecidos da Chery. O Lepas L4, por exemplo, deriva do Tiggo 5X, enquanto o L6 tem como base o Tiggo 7 e o L8 corresponde ao Tiggo 8. A proposta, porém, será posicionar os modelos em um patamar mais sofisticado, com mudanças de design, acabamento e equipamentos.
Três marcas de luxo chegam em 2028
A ofensiva do Grupo Chery também mira o segmento premium. Exeed, Freelander e Luxeed estão programadas para chegar ao Brasil em 2028 e terão como principais concorrentes marcas como BMW, Audi, Mercedes-Benz e Volvo.

A Exeed é uma marca premium do grupo que já havia sido estudada para o mercado brasileiro no passado. A expectativa agora é que seus SUVs de porte semelhante aos Tiggo 7 e Tiggo 8 finalmente sejam vendidos no país.
Já a Freelander nasceu da parceria entre Chery e Jaguar Land Rover na China. Um dos modelos confirmados é o Freelander 8, SUV de visual inspirado na linguagem dos Land Rover e que poderá utilizar diferentes sistemas de propulsão, incluindo híbrido, híbrido plug-in, híbrido de autonomia estendida e elétrico.

A terceira marca é a Luxeed, criada em parceria com a Huawei para disputar espaço com fabricantes de tecnologia e veículos elétricos, como a Tesla. Um dos modelos cotados para o Brasil é o R7, SUV de estilo cupê que terá versões de quase 500 cv e bateria de 100 kWh. Na China, a autonomia chega a 855 km pelo ciclo local.
Chery e Jetour continuam separadas
Apesar da expansão do conglomerado, as operações da Chery e da Jetour não serão incorporadas à nova estrutura multimarcas. A Chery continuará sendo administrada pela Caoa no Brasil, enquanto a Jetour manterá operação independente. A marca iniciou suas atividades no país em 2026 e já ampliou sua gama com modelos como o T2.

Grupo Chery também busca fábrica no Brasil
Para alcançar a meta de 500 mil veículos vendidos por ano, o grupo considera fundamental ampliar a produção local. Uma das possibilidades em estudo é a antiga fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia-RJ, que encerrou suas atividades em julho de 2026. A relação entre Chery e Jaguar Land Rover na China pode facilitar uma eventual negociação, embora a unidade pertença ao grupo indiano Tata Motors.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



