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O que esperar de Eduardo Coudet no Atlético

Eduardo Coudet, ex-Internacional, terá a missão de colocar o Atlético na briga pelos principais títulos em 2023

Ao que parece, o Atlético aprendeu a lição e agiu rápido na escolha do seu novo treinador. Ainda é bem viva na memória atleticana a celeuma causada pela novela da permanência ou não de Cuca à frente do time, e decidiu não ficar refém mais uma vez do técnico, considerado o maior da história do clube.

Sem grandes especulações ou buscas infindáveis, a diretoria acertou a contratação do argentino Eduardo Coudet, que já trabalhou no Brasil comandando o Internacional.

Ele esteve à frente do clube gaúcho entre janeiro e novembro de 2020, e, quando saiu (por vontade própria para assumir o Celta de Vigo, da Espanha), o time estava na liderança do Campeonato Brasileiro, classificado para as oitavas de final da Conmebol Libertadores e para as quartas de final da Copa do Brasil.

Foram, ao todo, 46 partidas à frente do Internacional, com 24 vitórias, 13 empates e apenas nove derrotas, um aproveitamento de 61,5%.

Mas quem é esse treinador que vai comandar o Atlético?

Eduardo “Chacho” Coudet é adepto do esquema 4-1-3-2 e um dos discípulos de Marcelo “El Loco” Bielsa. Gosta que sua equipe tenha a posse de bola, construindo jogadas pelo chão, preferencialmente pelo meio, deixando os flancos abertos para os laterais. Utiliza a criação de jogadas por um lado, executando do lado oposto, confundindo a marcação do adversário. Quando seu time perde a posse da bola, pressiona imediatamente para tentar roubar ainda no campo de ataque.

Eduardo Coudet usa um jogo bem propositivo e gosta que suas equipes utilizem dois centroavantes, para ter presença na área.

No chamado desenho tático, o esquema de Coudet usa uma linha defensiva com quatro jogadores, com um volante trabalhando na distribuição de jogo. À frente dele, uma linha de três jogadores dão sustentação ao meio-campo, sendo um deles um protagonista, um box-to-box, que faz o jogo de alta intensidade.

Se formos fazer uma simulação com os jogadores do atual elenco atleticano, a linha de quatro defensiva poderia ser formada nesse momento, talvez por Mariano, Réver, Jemerson e Dodô.

Alan atuando à frente dessa linha distribuindo o jogo, armando de trás, e o meio com Jair, Nacho e Zaracho. Matias Zaracho seria o box-to-box e, aliás, segundo a imprensa argentina, o jogador viveu seu melhor momento no Racing, justamente comandado por Chacho Coudet.

Nesse esquema, Allan ou poderia ser Otávio, atuaria com liberdade no meio, coordenando as ações, enquanto Nacho e Zaracho cairiam para as laterais, trabalhando na construção de jogo com a bola e recompondo na marcação sem ela.

Vale destacar que Coudet gosta que seu time gere amplitude e para isso joga com os laterais bem abertos.

No ataque, ele usa dois atacantes, sem definir a função do 9 clássico e dá liberdade para que se movimentem e ajudem a pressionar o adversário próximo a área.

Trazendo para a realidade do Atlético, seriam Hulk e mais um, por exemplo. Jogadores não faltam. Tem Kardec, Pavón, Keno, Vargas, Sasha, Pedrinho e Ademir. Fica a curiosidade para saber como isso vai funcionar na prática.

Uma coisa fica muito clara no estilo de jogo do novo treinador atleticano: a exigência física dos jogadores. Recentemente o atacante Yuri Alberto, que foi jogador do argentino no Internacional, revelou que treinava em dois períodos e corria quase 10 km por dia. Mas que surtia efeito e o time voava em campo.

Entre as características de Eduardo Coudet está o fato de gostar de utilizar atletas das categorias de base. No Inter trabalhou com 39 jogadores no e desses, 13 eram jovens da base.

O torcedor do Atlético vai se acostumar com um estilo extremamente agitado ao lado do campo. Coudet grita o tempo todo, caminha de um lado para outro, corre, gesticula, reclama, elogia. Ou seja, joga junto com o time.

Emerson Romano escreve semanalmente sobre futebol
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