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STF: tudo pode acontecer, inclusive nada

Sessão do STF termina sem abertura de investigação, mas expõe fissuras da Suprema Corte

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Gustavo Moreno/STF

Tudo pode acontecer, inclusive nada — ou quase nada. A sessão do Supremo Tribunal Federal terminou sem a abertura de investigação, mas revelou, talvez como poucas vezes antes, as entranhas da própria Corte.

Guerra

O julgamento expôs a força da ala de Alexandre de Moraes, que havia prometido um constrangimento — como nós havíamos apurado nos bastidores — e entregou. Dois ministros, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, declararam-se impedidos.

Autoridade minada

Gilmar Mendes e Flávio Dino questionaram reiteradamente a autoridade e a condução dos trabalhos pelo presidente Edson Fachin. Dino, inclusive, pediu vista, interrompendo o julgamento.

Alexandre de Moraes, por sua vez, colocou a si próprio e André Mendonça no mesmo barco ao defender que os pedidos de investigação de um contra o outro fossem analisados conjuntamente.

Autocrítica

Na reta final, a ministra Cármen Lúcia, última a votar, pediu desculpas à sociedade e aos próprios colegas pela crise profunda que o Supremo Tribunal Federal não conseguiu resolver.

Uma crise que, a poucos meses das eleições, tornou-se um dos principais assuntos do país.

No fim, um placar de três a quatro, com sabor de zero a zero.

Sabor de pizza

Não houve investigação aberta. Não houve, tampouco, uma solução para o conflito que levou a Corte a se debruçar sobre si mesma.

Ficaram as divergências expostas, os constrangimentos públicos e uma pergunta que permanece sem resposta: o que fazer quando o próprio Supremo se transforma no centro da crise que deveria ajudar a resolver?

Por enquanto — e, em certa medida, desde sempre — quem termina pagando a conta por isso é a população brasileira.

O prato ainda não está pronto, mas o cheiro é de pizza.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

 

 

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