Lula anuncia plano de segurança no Rio e promete dobrar efetivo da Polícia Federal
Em sabatina da Record, presidente disse que apresentará iniciativa conjunta com governo estadual e prefeitura nesta sexta-feira; petista também criticou autonomia do Banco Central

Em sabatina da Record nesta terça-feira (15), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República e candidato à reeleição, disse que apresentará, na próxima sexta-feira (18), uma nova iniciativa de segurança pública no Rio de Janeiro. O petista também defendeu a ampliação da participação do governo federal no combate ao crime organizado.
Lula disse ainda que pretende dobrar o efetivo da Polícia Federal caso seja aprovada a PEC da Segurança Pública. “Nós vamos fazer uma primeira experiência no Rio de Janeiro, sexta-feira. Eu vou lá anunciar um plano entre o governo federal, o governo estadual e a prefeitura”, afirmou.
De acordo com o presidente, a iniciativa deverá servir como uma experiência de maior integração entre os diferentes níveis de governo no enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado nas periferias.
Lula argumentou que a participação da União na segurança pública ainda é pequena e voltou a defender a PEC enviada pelo governo ao Congresso para redefinir as atribuições da União, dos estados e dos municípios na área. A proposta em discussão amplia a participação de forças federais e constitucionaliza mecanismos do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
“Eu mandei para o Congresso Nacional uma emenda constitucional para definir o papel da União na Segurança Pública, para definir o papel do Estado e definir o papel das prefeituras”, disse.
Lula promete dobrar efetivo da PF
O presidente afirmou que a aprovação da proposta exigirá aumento dos recursos destinados à segurança e uma expansão significativa da estrutura federal. “Vai ter que dobrar o efetivo da Polícia Federal, vai ter que investir mais em inteligência”, declarou.
Lula também voltou a vincular a aprovação da PEC à criação de um Ministério da Segurança Pública, proposta que já vinha sendo defendida por ele durante a campanha.
O petista argumentou que o reforço das forças federais seria necessário principalmente diante da extensão das fronteiras terrestres e marítimas brasileiras e do avanço de organizações criminosas com atuação em diferentes estados.
“A hora que o governo federal entrar, a gente vai colocar ordem na casa”, afirmou.
Crítica à autonomia do Banco Central
Em outro momento da sabatina, ao ser questionado sobre inflação, custo de vida e juros, Lula também criticou o atual modelo de autonomia do Banco Central. O presidente disse considerar importante que o chefe do Executivo eleito tenha instrumentos para interferir na condução da economia em determinadas circunstâncias.
“O que é válido é o presidente da República eleito ter poder de interferir em algum momento na economia, coisa que nós não temos mais”, disse.
A declaração representa um tom mais crítico do que o adotado anteriormente pelo presidente ao falar sobre o comando do Banco Central. No início de setembro, Lula afirmou a empresários que respeitava o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, mas reconheceu que sua influência sobre a política monetária era limitada pela autonomia do BC.
Na sabatina desta terça-feira, no entanto, Lula disse que a autonomia da autoridade monetária não resolveu, por si só, os problemas econômicos do país. O petista também recordou que, durante seus dois primeiros mandatos, o Banco Central não tinha autonomia formal e afirmou que, ainda assim, não interferia diretamente nas decisões da instituição.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público



