'Quem não deve, não teme': a estratégia de Lula para colar o Caso Master em Flávio
Em última cartada, petista pode ‘sacrificar’ Moraes e Alcolumbre

Ao pedir a quebra total do sigilo do Caso Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu dar a última cartada antes que o escândalo caísse no colo dele de forma irreversível. A leitura do Palácio do Planalto é que o silêncio ou a discrição inicial do petista em relação à crise que atinge em cheio o Supremo Tribunal Federal estava tendo resultado negativo para o presidente na corrida eleitoral.
Quebrando o silêncio
A orientação, a princípio, era não se envolver no caos institucional do STF. No entanto, a situação chegou a tal ponto que pode custar a reeleição de Lula. Com isso, o disco do PT mudou e o partido achou uma saída para descolar o presidente Lula do escândalo.
O entorno de Lula vem buscando uma saída desde que o ministro André Mendonça quebrou o sigilo do relatório que expôs ainda mais Alexandre de Moraes; trouxe o Procurador Geral da República, Paulo Gonet, para crise; e culminou em um pedido de afastamento do Diretor Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, decisão que acabou sendo revertido pelo ministro Flávio Dino.
O desafio da campanha, segundo apurou a coluna, era descolar Lula de qualquer relação com o Master e mostrar que Flávio Bolsonaro é quem tem ligação direta com Daniel Vorcaro. Apesar de não haver, até o momento, nenhum elo direto entre o petista e o escândalo financeiro, a relação próxima com o ministro Alexandre de Moraes, com o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre e a própria citação do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Última cartada
A solução foi encontrada com a máxima adotada no posicionamento de Lula desta quarta-feira (9): “Quem não deve, não teme”. Com base nisso, o presidente da República, pediu a “quebra total do sigilo” do Caso Master, a exemplo do que o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), já havia anunciado em entrevista à Itatiaia, nesta quarta, durante a sabatina dos presidenciáveis.
Leia também:
- Caiado pedirá a Fachin para manter investigações do Master e do INSS: ‘Eleitor precisa saber’
- Caiado propõe debate paralelo com Zema e Cury: ‘Envolvidos em corrupção não querem ir’
- Caiado defende afastamento de Andrei, mas pede 'responsabilidade' sobre prisão do diretor da PF
- ‘Que interesse tem o Vorcaro de fazer um filme de Bolsonaro?’, questiona Caiado
Sacrificando aliados
Com a postura, Lula teve que escolher entre “sacrificar” Moraes e Alcolumbre ou salvar a própria pele e a escolha foi feita. A estratégia só não terá validade se o próprio Supremo Tribunal Federal não liberar o sigilo completo, o que salvaria os envolvidos do desgaste, mas privaria a população brasileira de conhecer a verdade.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



