Justiça inglesa rejeita pedido da Vale e confirma que mineradora será julgada em Londres

O prazo para a empresa brasileira apresentar a defesa termina no dia 1º de dezembro

Rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana

A Justiça inglesa rejeitou, nesta quinta-feira (19), o pedido da Vale para que a mineradora fosse retirada da ação que tramita em Londres. A decisão confirmou a jurisdição da corte para julgar a empresa e a mineradora tem prazo até o dia 1º de dezembro para apresentar a defesa.

A BHP é alvo da mesma ação e era sócia da Vale na Samarco quando ocorreu o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. A empresa, que tem sede em Londres, também é contrária à ação inglesa. A mineradora afirma “que é desnecessário duplicar questões já cobertas pelo trabalho contínuo da Fundação Renova, sob a supervisão dos tribunais brasileiros, e objeto de processos judiciais em curso no Brasil”.

No entanto, as duas companhias continuarão respondendo ao processo internacional, além da ação brasileira que está sendo repactuada. Em nota, a BPH informou que, no caso de qualquer condenação e pagamento determinado no Reino Unido, o valor terá que ser dividido entre as mineradoras.

Leia a nota da BHP na íntegra:

A BHP refuta integralmente os pedidos formulados na ação ajuizada no Reino Unido e continuará com sua defesa no processo, que é desnecessário por duplicar questões já cobertas pelo trabalho contínuo da Fundação Renova, sob a supervisão dos tribunais brasileiros, e objeto de processos judiciais em curso no Brasil. A audiência realizada nos dias 10 e 12 de outubro no Reino Unido, de caráter processual, discutiu a participação da Vale no processo inglês. Na decisão proferida (hoje), a Corte Inglesa rejeitou o pedido da Vale relacionado à permissão para recorrer da decisão que confirmou a jurisdição da Corte inglesa para julgar a ação de contribuição movida pela BHP. O Tribunal inglês também negou o pedido da Vale de suspensão da ação de contribuição, que seguirá imediatamente no Reino Unido. A Vale deverá apresentar sua defesa em 1º de dezembro de 2023. A ação de contribuição sustenta que, caso a defesa da BHP não seja acolhida, a Vale deverá contribuir com no mínimo 50% de qualquer valor a ser pago aos autores no Reino Unido. A BHP Brasil continua trabalhando em estreita colaboração com a Samarco e a Vale para apoiar o processo de remediação em andamento no Brasil. A Fundação Renova promoveu avanços significativos no pagamento de remunerações individuais, tendo realizado pagamentos a mais de 431 mil pessoas, incluindo comunidades tradicionais como quilombolas e povos indígenas. A Renova já desembolsou mais de R$ 32 bilhões em ações de reparação, dos quais aproximadamente 50% foram pagos diretamente às pessoas atingidas por meio de indenizações individuais. No total, mais de 200 mil requerentes no processo da Inglaterra já receberam pagamentos no Brasil.

A Vale ainda não se posicionou sobre a decisão.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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