Equipe de transição deve analisar suspensão da privatização do metrô de BH e da Ceasa-MG

Leilões estão marcados para dezembro, mas homologações e assinaturas de contratos estão agendadas para 2023, já na gestão Lula

Equipe de Transição de Lula

A equipe de transição do governo eleito recebeu os ofícios que solicitam a suspensão da privatização das Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas) e do metrô de Belo Horizonte. Os documentos, assinados pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), foram encaminhados ao ex-ministro Aloízio Mercadante, coordenador técnico da equipe de transição de Lula.

Se tudo ocorrer como o planejado pela gestão atual, as desestatizações serão realizadas antes de o próximo governo assumir. O leilão da Ceasa está marcado para o dia 22 de dezembro e o edital foi publicado na última sexta-feira (11). O leilão da concessão do metrô de BH está marcado para a mesma data, na B3 em São Paulo.

Segundo o deputado petista e o Núcleo de Trabalho, Administração e Serviços Públicos na Câmara dos Deputados, mesmo que os leilões sejam realizados é possível reverter o processo porque a homologação e assinatura estão previstas para 2023.

Metrô

Os ofícios encaminhados para a equipe de transição tratam dessa questão:

O Leilão está marcado para o dia 22 de dezembro do corrente ano, com previsão de conclusão do processo, homologação e assinatura do contrato com a empresa ou consórcio eventualmente vencedor do certame em 2023, portanto, já sob a gestão do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Ocorre que, o projeto de modelagem do leilão e da organização da prestação do serviço encontra várias irregularidades e inconsistências, o que pode ameaçar o resultado final esperado no que tange aos próprios valores arrecadados resultantes do Leilão, mas, sobretudo o risco jurídico e relativo a regular prestação do serviço essencial na região metropolitana de Belo Horizonte. Por fim, a modelagem apresentada não trata adequadamente às questões que envolvem os trabalhadores da empresa, não tendo sido oferecida a opção de adesão a Programa de Demissão Voluntária, possibilidade de transferência para outro órgão, nem tampouco os aspectos relativos ao fundo de pensão, o que torna temerária a decisão de privatização do serviço nas bases atuais.

Ceasa

A proposta de desestatização da Ceasa Minas, segundo os parlamentares, também apresenta irregularidades e inconsistências.

Ocorre que, o projeto de modelagem do leilão e da organização da prestação do serviço encontra várias irregularidades e inconsistências, inclusive pendência de apreciação do novo molde de concessão do que se conhece como Mercado do Livre Produtor – MLP1 , contrato este a ser firmado entre o Estado de Minas Gerais e eventual vencedor do leilão. Durante a análise da modelagem, o próprio TCU e Controladoria Geral da União apontaram incertezas acerca do novo cenário de abastecimento alimentício diante da privatização da CEASAMINAS, em especial o risco regulatório para os entes subnacionais das regiões em que atua, devido a falhas de mercado - já existentes e que podem se agravar com a desestatização ou que venham a surgir em decorrência da desestatização - as quais podem demandar regulação, hoje exercida em alguma medida pela empresa estatal, principalmente no que tange à (i) modicidade tarifária; e (ii) transparência de preços praticados na atividade de entrepostagem.

Projeto de Lei

O senador Alexandre Silvera (PSD-MG) apresentou projeto que proíbe governos derrotados nas urnas de privatizar empresas “a fim de fazer caixa para poder pagar juros da dívida comprometendo o futuro do país”.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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