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Qual a boa no cenário de inovação?

Acompanhe insights da última edição do Orbitar, evento que reuniu as principais referências em inovação de Belo Horizonte

Esqueça clichês, receitas de bolo e jargões ‘startupeiros’. A edição 2024 do Orbitar, promovido na semana passada pelo Órbi Conecta, principal hub de inovação de Minas Gerais, selecionou as principais referências em inovação de Belo Horizonte para um evento que entregou inspirações, reflexões provocadoras e trocas de experiências. Os palestrantes abordaram a cultura da inovação, a visão estratégica, o uso da tecnologia na experiência do cliente e o ESG como um elo entre gerações para as transformações que devem marcar o mundo as próximas décadas.

Em uma analogia com os tipos de corrida e as habilidades exigidas para cada uma delas, a conselheira do Órbi, MRV&Co, Inter, Rede Lius Agostiniano, CNN Brasil e CEO do Instituto Lugo, Maria Fernanda Menin, falou da importância da geração de valor diante da busca por resultados nas empresas. ‘Não podemos pensar em uma corrida de 100 metros rasos, mas em uma maratona, pois haverá desafios no caminho. A geração de valor não está, necessariamente, ligada a resultados financeiros, mas o que vai ficar para a sociedade’, comparou.

Ainda sobre a cultura corporativa e suas diferenças com a cultura da inovação, o CMO e Ecosystem da Oxygea Ventures, Paulo Emediato, abordou o quanto os empreendedores e os empresários têm a aprender nessa interação. ‘Por mais que a gente queira que as corporações inovem, elas não são feitas para inovar, mas para performar. Por isso, é preciso trabalhar com ambidestria para aliar eficiência, agilidade e enxergar outras oportunidades de negócio”, comenta. “Inovar não é um jogo de performance, é um jogo de risco. Todos estão aprendendo esse negócio’, ressalta.

'É Sobre Grana’. Assim a fundadora e CCO da #ESGprajá, Erlana Castro, também SXSW Speaker 2022, traduziu a sigla ESG. Em sua palestra, ela trouxe dados que reforçaram a tese de que “o contexto é rei” e que movem as mudanças do mundo.

O contexto, nesse caso, destaca os movimentos com mais força e relevância em curso, o que é endossado pelas empresas, que se preocupam com sua reputação no engajamento das causas relevantes. ‘Quem manda é o contexto. As empresas têm um custo de oportunidade não gostar e não dialogar com o contexto. É uma escolha’, explica.

Entre relatórios da última edição do Fórum Econômico Mundial e o estudo mais recente da PWC feita com os principais líderes mundiais, ela apontou a diferença de comportamento entre as gerações, o que reflete uma dissonância de interesses dentro das organizações. ‘Existe uma ponte sendo construída para fazer a transição entre esses dois mundos. ESG é um jeitinho. Não vai ficar mais fácil, mais barato, mais rápido, mais simples e se você não falar sobre isso não vai desaparecer. ESG é a narrativa de transição. Não é moda’, diz.

O Orbitar também foi uma oportunidade de aprendizados levados por palestrantes que dividiram suas experiências. O co-fundador e CEO do Track Group, Tomás Duarte, procurou desfazer alguns mitos relacionados à experiência do cliente, baseando-se em boas práticas e tendências que já despontam no mercado. ‘O cliente (de boa fé) sempre tem razão. Por isso, a regra que permanece é a necessidade de reduzir o atrito para que não haja problemas na relação entre as partes’. Segundo ele, em 2010, foi criado o índice de esforço do cliente, métrica que tem o objetivo de evitar aborrecimentos diários e estar atento aos detalhes. ‘O encantamento deve ter consistência. Não adianta um dia o cliente amar a empresa e no outro, odiar. Esconder atrás da tecnologia não funciona’, garante.

Já o diretor de Agilidade e Transformação da Localiza&Co, João Rodarte, levou ao evento a inovação trilhada pela empresa desde a pandemia, especialmente dentro do Localiza Labs, que culminou no atual time de tecnologia. ‘Cada empresa vai procurar o seu caminho. Mas podemos nos inspirar em algumas experiências. A Localiza sempre foi apaixonada pelo cliente. Mas melhor que isso é ter um cliente apaixonado pela empresa. Para isso, precisamos desenvolver várias habilidades que não existiam quando a empresa foi fundada’, explica. Cultura de agilidade, inovação aberta e a arte de dizer não são algumas delas. “Trabalhamos em squads. Um cuida da atração do meu cliente, outro da devolução do carro, outro do pós-venda e por aí vai”, conta.

‘Toda escolha é uma renúncia. Não dá para dizer sim para tudo. Precisamos definir o que vamos fazer e o que não vamos fazer. Para isso, investimos no desenvolvimento dos times, das lideranças e das várias competências’, explica.

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O Órbi Conecta é o principal hub de inovação e empreendedorismo digital de Minas Gerais, e agora mantém uma coluna publicada semanalmente às terças-feiras no portal da Itatiaia.
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