Após a morte da brasileira Juliana Marins, que caiu durante uma trilha em um vulcão na Indonésia, o uso de drones em operações de salvamento se tornou alvo de discussão.
Na semana seguinte ao acidente, um vídeo que mostra um homem sendo retirado por um equipamento desses do meio de um rio, na China, viralizou nas redes sociais. Muitos brasileiros conjecturaram nas redes que um aparelho assim poderia ter salvado Marins. Mas, afinal, quais são as tecnologias disponíveis no Brasil e que já são utilizadas pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais?
Para saber mais informações, a Itatiaia conversou com o tenente Fabricio Rodrigues Tolentino, chefe da Seção de RPA (Remotely Piloted Aircraft, ou aeronaves remotamente pilotadas, em português) do Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Segundo ele, que tem 20 anos de serviço e já participou de inúmeros resgates, desde 2019, as equipes contam com drones para auxiliar na busca por pessoas desaparecidas.
“Esses equipamentos têm câmeras de alta resolução, zoom óptico de até 57 vezes e sensores termográficos (câmeras térmicas)”, explicou. Foi justamente um drone com
De acordo com Tolentino, o funcionamento é simples: o drone detecta e mede a radiação infravermelha emitida pelos objetos. Essa radiação, invisível ao olho humano, é convertida em um espectro de cores que mostra diferentes temperaturas, permitindo identificar pontos de calor ou frio.
Esses equipamentos estão distribuídos em diversas unidades de Minas e dão suporte às equipes em solo, transmitindo imagens em tempo real do terreno. “Isso possibilita reduzir deslocamentos longos e evitar a exposição das guarnições a riscos desnecessários”, explicou.
A atuação dos drones pelos
Com menos helicópteros sobrevoando, os drones passaram a fazer buscas e apoiar a equipe de planejamento, atualizando o comando, acompanhando a progressão da retirada da lama e permitindo que novas estratégias fossem traçadas.
Resgate por drone pode ser arriscado
No início do mês, equipes de
O tenente afirma que desconhece registros de resgates diretos com drones no Brasil. “Pelo vídeo divulgado, não é possível identificar com precisão a marca e o modelo do drone utilizado na China, mas sabemos que existem equipamentos no mercado chinês com capacidade de carga superior a 100 kg, como o Flycart 100, desenvolvido para transporte de materiais”, disse.
“No Brasil, até onde nos foi apresentado, os drones com maior capacidade de carga – em torno de 90 kg – são destinados exclusivamente à pulverização, não sendo aptos para o transporte de cargas gerais”, acrescentou.
No caso de vítimas ilhadas, ele destaca que o uso de drones pode ser perigoso. Isso porque a capacidade de carga, que hoje gira em torno de 100 kg, permite transportar apenas uma pessoa por vez, inviabilizando atuação direta de um bombeiro militar durante o salvamento, como ocorre nos resgates com helicópteros, em que o profissional fixa o colete de forma correta na vítima. “Ao deixar essa tarefa exclusivamente com a pessoa resgatada, o risco de erro e de acidentes é muito alto”, explicou”, explicou.
Outro ponto crítico é a duração das baterias, que normalmente não ultrapassa 15 minutos. Por isso, a decolagem do drone precisaria ocorrer muito próxima da vítima, o que nem sempre é possível em áreas de difícil acesso.
Hoje, o resgate aéreo em Minas ocorre por meio de sete helicópteros equipados e equipes treinadas. Tolentino relembra a operação realizada em fevereiro de 2023, quando cinco
Drones em outras funções
De acordo com o tenente, estados brasileiros já avançam no uso de drones em outros tipos de ocorrência. Goiás, por exemplo, tem testado drones agrícolas no combate a incêndios florestais. O Amazonas adquiriu recentemente um equipamento específico para atuar em incêndios urbanos.
“No Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, realizamos em junho testes com drones de pulverização no Parque Estadual Serra Verde, avaliando a eficiência na aplicação de água sobre a vegetação para o combate direto e indireto — reduzindo as chamas e permitindo a aproximação mais segura dos combatentes”, contou.
A corporação também pretende realizar testes com drones para transporte de materiais, o que pode ajudar a diminuir o desgaste físico de militares e brigadistas durante operações prolongadas.
“No entanto, essa aplicação ainda está em fase de estudos. Somente após avaliarmos a eficiência e a segurança dessas operações é que poderemos considerar o transporte de pessoas”, ressaltou. Por ora, ainda não há previsão de quando essa tecnologia poderá ser implementada de forma operacional.