O Hospital Universitário Ciências Médicas, que fica no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, vem registrando um aumento expressivo nas internações de adultos com doenças respiratórias. Desde a semana passada, a unidade enfrenta uma crescente demanda por leitos, especialmente de pacientes com síndromes respiratórias agudas graves, muitas vezes associadas a doenças cardíacas e pulmonares.
Segundo a direção da unidade, que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o hospital já havia conseguido ampliar o número de leitos para pacientes pediátricos, mas agora percebe uma mudança no perfil dos internados, com aumento de casos entre os adultos.
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O diretor-geral do hospital, Vespasiano de Cerqueira Luz Neto, explica que, apesar de não contar com pronto atendimento, a unidade recebe pacientes encaminhados via Central de Internações, por meio de pactuações com os planos operativos da rede SUS.
“Somos uma unidade que não tem porta aberta, não temos pronto-socorro. Mas recebemos, através de pactuação com a Central de Internação, demandas específicas. Este ano, de forma excepcional, temos visto um grande número de pacientes com doenças respiratórias, tanto pediátricos quanto adultos”, relata.
Vespasiano destaca que o hospital conseguiu se adaptar, ampliando a estrutura para atender pacientes pediátricos, o que ajudou a absorver parte da demanda. No entanto, a pressão por leitos para adultos, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTI), tem aumentado desde a última semana.
“Com os boletins da Central de Internação, temos observado uma demanda muito expressiva por leitos de CTI adulto e internação adulta, com casos bastante graves de doenças respiratórias. Nós ajudamos com a oferta de leitos dentro do que é possível, mas o volume de casos tem sido muito alto.”O diretor ainda ressalta a gravidade da situação:
“Desde a semana passada, houve um aumento nas solicitações por vagas de média e alta complexidade. São pacientes que chegam com quadros respiratórios agudos graves, que precisam de atendimento imediato, com suporte avançado de vida: respiradores, medicamentos para estabilização. É um tipo de paciente que exige muitos recursos em pouco tempo.”
Segundo Vespasiano, o cenário atual é considerado atípico: “Não é comum. Esse ano está diferente. O aumento de casos começou mais cedo, ainda no início de maio, e tem se mantido em níveis elevados. Com a chegada do inverno, a tendência é de piora. Ambientes fechados e com maior concentração de pessoas favorecem a disseminação dessas doenças, que podem se agravar ainda mais.”