O aumento no preço dos alimentos tem impactado diretamente os hábitos de consumo da população. Segundo uma pesquisa do Ipsos-Ipec, 44% dos brasileiros passaram a optar por marcas mais baratas, enquanto 35% reduziram o consumo de café ou trocaram carnes de primeira por cortes mais baratos.
Esse comportamento é comum em períodos de inflação, quando o poder de compra diminui. Para o economista Paulo Casaca, doutor e mestre pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas (Cedeplar) da UFMG, a substituição de produtos é uma reação natural, especialmente diante da alta nos preços de itens básicos.
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“Os preços sempre tendem a subir, embora não de forma linear. E aí o consumidor se vê obrigado a substituir, de tempos em tempos, os produtos que encarecem. Agora é o café, meses atrás foi o tomate, já passamos pela carne. Isso tende a continuar — e, com as mudanças climáticas, a situação deve se agravar”, afirma .Por outro lado, Casaca destaca um fator positivo: a variedade de produtos no mercado.
“Hoje o consumidor tem uma cesta de produtos mais ampla, o que facilita a troca em momentos de escassez ou aumento de preços.”
Para quem sente o impacto direto no bolso, a dica do economista é simples e eficaz: pesquisar antes de comprar. “Os mesmos produtos podem ter preços muito diferentes entre os estabelecimentos. Hoje, com a internet, é possível comparar valores online e até comprar sem sair de casa. É preciso gastar um tempo com isso, mas no final vale a pena: pesquise preços e compre mais barato."O cabeleireiro Adriano Ribeiro é um exemplo de consumidor que tem adaptado a rotina para economizar.
“Compro muita fruta por causa da minha dieta. Quando o abacate ficou caro, substituí por outras frutas. Hoje, compro mais banana e laranja, que estão com preço melhor. As mais caras, deixei de lado."Enquanto alguns apostam na pesquisa, outros preferem trocar marcas em busca de melhor custo-benefício. É o caso de Jeanete, de 65 anos, engenheira civil:
“Nunca tive marca. Minha marca é o preço mais barato — e, sinceramente, está tudo um absurdo de caro.”