Está faltando Ozempic em Belo Horizonte. Ao procurar o remédio em uma das unidades da Araújo, na regão Centro-Sul da capital mineira nos últimos dias, o paciente se depara com o aviso: “O medicamento Ozempic está com baixa disponibilidade de estoque em todas as farmácias e drogarias do Brasil.”
Ao consultar no site da drogaria Dona Clara nesta quinta-feira (3), o remédio também está em falta. Na Pacheco, segundo funcionários da rede, não há Ozempic em nenhuma das unidades, e não há previsão para normalização.
O Ozempic é um remédio da farmacêutica Novo Nordisk, inicialmente indicado para pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 2. Mas não é novidade que muitas pessoas acabam se arriscando e optam pela automedicação para perder peso.
Especialistas alertam para o uso desenfreado do medicamento percebido nos consultórios, e as consequências da falta de estoque para pacientes que realmente precisam.
O comunicado da drogaria alerta: “Não interrompa o seu tratamento. Consulte o seu médico sobre as opções mais indicadas para a continuidade dele”.
Demanda será regulada de ‘forma gradual’
Em setembro, a Novo Nordisk, disse que a demanda elevada pelo medicamento poderia resultar em baixo estoque do medicamento. Nesta quinta, a empresa confirmou à Itatiaia que não há prazo para que o restabelecimento aconteça.
“Como fornecedora responsável e sempre preocupada com a saúde e segurança de seus pacientes, a Novo Nordisk comunica que haverá disponibilidade intermitente da apresentação de Ozempic® 0,25m, 0,5mg e 1mg ao longo de 2024, devido à demanda maior que a prevista. Importante ressaltar que não há problemas de qualidade ou regulatórios com nenhuma das apresentações e o produto não será descontinuado”, disse.
A Novo Nordisk ainda ressaltou que, devido à complexidade envolvida na cadeia de distribuição de medicamentos em proporção nacional, "é esperado que o estoque do produto no mercado se restabeleça de forma gradual e não de imediato, uma vez que a disponibilização do medicamento compreende etapas que não podem ser aceleradas.”
A nota disse também que a intermitência não afeta a disponibilidade de outros medicamentos da farmacêutica usados em tratamentos de obesidade e diabetes.
As consequências para pacientes
Levimar Rocha Araújo, médico endocrinologista, ex-presidente Sociedade Brasileira de Diabetes, professor de Medicina da Faculdade Ciências Médicas, explica que as consequências da ausência do remédio nas prateleiras preocupam os médicos. “O paciente diabético que não dá a sequência ao tratamento pode ter elevação da glicose, desde que essa medicação não seja substituída em tempo hábil”, acrescentou.
Ele afirma que percebe também o uso do medicamento sem orientação médica. “Como médico, eu percebo que aumentou muito o número de pacientes que fazem uso indevido e sem indicação. Durante a minha gestão como presidente da Sociedade Brasileira, em 2022/2023, fomos à Anvisa para tentar restringir esse uso indiscriminado, mas, infelizmente, não tivemos sucesso”, afirmou.
Segundo o endocrinologista, há pacientes que compram os remédios no Brasil e levam para o exterior. “Tenho pacientes que moram nos Estados Unidos e, quando vêm para cá nas férias, levam entre 20 e 30 caixas para revender. Isso porque lá é preciso receita e tem um preço superior”, explicou.
A reportagem entrou em contato com a Araújo, que não informou o balanço do medicamento na rede. A Itatiaia tenta contato com a Pacheco e Dona Clara e aguarda retorno. O espaço continua aberto, caso queiram se manifestar.