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Chuva em BH: o fenômeno do El Niño influencia tempestades em Minas? Entenda

Chuvas fortes e menos frequentes são um dos fatores causados pelo fenômeno, que vêm provocando eventos climáticos extremos no Brasil

Chuva BH

Chuvas fortes e menos frequentes são um dos fatores causados pelo fenômeno do El Niño

Arquivo pessoal

As fortes tempestades que atingiram as principais capitais do Brasil nas últimas semanas - como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre - pode estar relacionado a mudanças climáticas.

BH recebeu nessa terça-feira (23) o correspondente a 25% da chuva esperada para todo o mês janeiro em apenas três horas.

A tempestade alagou avenidas, arrastou carros, derrubou árvores, provocou queda de energia e causou estragos em várias regiões da cidade.

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As chuvas são comuns no Brasil durante o verão, principalmente no mês de janeiro, apesar da intensidade forte.

No entanto, o aumento de eventos climáticos extremos no Brasil nos últimos anos alertam para a influência do El Niño na região.

O El Ninõ pode ter provocado tempestade em BH?

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que pode provocar enchentes, ondas de calor, secas, e tempestades tropicais intensas ou menos frequentes.

No Brasil, ele está diretamente relacionado aos tornados no Rio Grande Sul, a seca histórica do Amazonas, as ondas de calor no Sudeste e os incêndios do Pantanal em 2023.

O fenômeno dura, em média, de 9 a 12 meses. Durante esse período, a sua intensidade aumenta e diminui de forma natural.

Ao contrário do aquecimento global, que é causado pela interferência do homem na natureza, o El Niño acontece espontaneamente, independente da ação humana.

Mas ambos fenômenos estão relacionados às mudanças climáticas, que contribuíram para que 2023 fosse o ano mais quente da história.

De acordo com o meteorologista do Climatempo Ruibran dos Reis, o El Niño influenciou as escassez de chuva no Brasil nos últimos meses.

“O El Niño causou uma grande seca na Amazônia (em 2023) e, com isso, diminuiu a umidade que vem da Amazônia, no sentido Atlântico e não alimentou as frentes frias na zona de convergência do Atlântico Sul”, disse.

Segundo ele, o fenômeno causou a prestação de chuva abaixo da média histórica em todas as regiões de Minas Gerais nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2023.

Os efeitos do El Niño começaram a enfraquecer durante o mês de janeiro, explica o meteorologista do Climatempo.

De acordo com o Centro de Previsão do Clima do National Weather Service dos Estados Unidos, o ciclo está na fase de declínio em janeiro de 2024.

Isso significa que as temperaturas do oceano Pacífico equatorial estão começando a se resfriar, após atingirem o pico no final de 2023.

Mesmo assim, elas seguem acima da média, o que pode contribuir para as chuvas mais intensas no Sudeste do Brasil.

No entanto, Ruibran dos Reis indica que tempestades, como essa que atingiu BH ontem (23), são “comuns” nesta época do ano e não estão diretamente ligadas ao El Ninõ.

“É comum nessa época do ano a gente ter esses temporais com chuvas de 70/80 mm, rajadas de ventos. Isso é gerado pelas próprias nuvens, que nós damos o nome de cumulonimbus. Então é comum esse fenômeno acontecer”, explicou o metereologista.

As nuvens cumulonimbus estão relacionadas a tempestades intensas e eventos meteorológicos severos, incluindo tempestades, granizo e raios. Mas não estão expressamente ligadas ao El Niño.

Segundo Ruibran dos Reis, para que fosse constatado a influencia do fenômeno, deveria ser registrado entre 8 a 10 tempestades com essa intesidade na região.

Impermeabilidade do solo

Chuvas fortes e menos frequentes são um dos fatores causados pelo El Niño.

No entanto, Minas Gerais e Belo Horizonte têm registrado chuvas constantes, de intensidade moderada, desde o final de 2023 - como é o padrão durante o verão.

“O fenômeno do El Ninõ começou a enfraquecer neste mês de janeiro e a penúltima frente fria que nós tivemos foi no dia 30 de dezembro de 2023, causando chuvas moderadas em todas as regiões de Minas na primeira quinzena (de janeiro)”, disse o metereologista Ruibran dos Reis.

A causa da tempesatde ontem (23), portanto, foi natural.

“No último sábado (20), tivemos a chegada de uma nova frente fria que está parcialmente estacionária entre os estados de Minas e a Bahia”, afirmou o metereologista do Climatempo.

A forte chuva não atingiu somente a Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas também o Campo das Vertentes, o Sul de Minas, Zona da Mata e o Leste do estado.

No entanto, de acordo com Ruibran dos Reis, as enchentes e estragos registrados em Belo Horizonte estão relacionados à impermeabilidade do solo na capital mineira, que não é capaz de absorver um grande volume de água em um curto intervalo de tempo.

“As chuvas ocorreram ontem em várias outras cidades (de Minas), mas não causaram nenhum tipo de problema (parecido com BH). Às vezes, a elevação de nível de alguns córregos, mas é só isso”, explica o metereologista.

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai e produção de vídeos para a Labe Tecnologia. Hoje, é repórter multimída da Itatiaia na área de Tendências Digitais.
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