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Idoso de 70 anos que fez transplante de coração está vivo e é o mais antigo do Brasil

Mineiro de Capelinha ele fez o transplante de coração há 35 anos após descobrir que tinha doença de chagas

O mineiro de Capelinha, Geraldo Fernandes Souza, 70 anos, é o idoso vivo transplantado mais antigo do Brasil. Há 35 anos ele recebeu um novo coração após ser diagnosticado com a doença de chagas e comemora dizendo que nasceu “duas vezes.”

O senhor Geraldo disse que ficou na fila de transplantes por 60 dias esperando por um novo coração. Na época, ele já não andava mais. “Foi horrível a esperava, eu não andava. Hoje, me sinto feliz.” O idoso de 70 anos é lavrador e leva uma vida saudável sem vícios, como fumar e beber, e diz que faz caminhadas regularmente. Pai de três filhos ele disse em entrevista do programa Rádio Vivo desta segunda-feira (25) que está pronto para passar dos 100 anos.

“Após todos esses anos eu levo comigo a alegria de ter vivido. Nasci em 2/5/1953 e no dia 15 de 1988 eu recebi meu novo coração. Eu nasci duas vezes, esses médicos são de Deus, me ajudaram demais.”

Senhor Geraldo está entre as milhares de pessoas que foram transplantadas no hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, atualmente considerado o maior centro de transplantes de Minas Gerais. Desde 2001, já foram mais de 4 mil transplantes. A clínica do hospital possui nefrologistas, hepatologistas, cardiologistas, endocrinologistas e hematologistas, altamente especializados na ciência da transplantação, conduzindo com primazia nossos pacientes nos períodos de pré e pós transplantes.

Uma das médicas da equipe de transplantes do Felício Rocho, Sandra Vilaça, destaca que um paciente transplantado de rim é o segundo mais antigo do Brasil, com 45 anos de transplante, feito pela equipe do hospital.

“São essas pessoas que fazem valer o nosso trabalho. É muito importante autorizar a doação com a sua família, porque no Brasil ela passa pela autorização da família. Ou seja, conversa e fala: eu sou um doador”, detalha Sandra.

O outro médico da equipe, Silvério Leonardo Nefrologista, que desde 2008 realiza transplantes de rins, fígado e pâncreas destaca que casos como o do apresentador Fausto Silva, que recentemente recebeu um novo coração, é importante porque aumenta as doações de órgãos e tecidos no Brasil.

“A fila existe e ela é respeitada. O transplante de órgãos e tecidos no Brasil é algo sério, transparente e muito ético. A fila é única e nacional, então, quanto mais a gente fala mais a gente quebra a desinformação e fakenews sobre os casos.”

Números em Minas

O número de transplantes em Minas Gerais vem aumentando, conforme dados recentes do MG Transplantes. Ao todo, foram 1.573 procedimentos efetivados em 2020, 1.733 em 2021 e 2.003 em 2022, “o que revela a retomada das doações com a estabilidade dos casos da covid-19 no país.”

Porém, o MG Transplantes alerta que as estatísticas “permanecem distantes do necessário para atender à demanda de transplantes no estado.” A média de recusa para a doação de órgãos também cresceu: está em torno de 45%, sendo que, em 2019 (antes da pandemia) chegou a 25%.

“Para a doação acontecer, apenas a resposta positiva dos familiares é necessária – não é preciso deixar nenhum registro sobre esse desejo em vida. A lista de espera por órgãos e tecidos para transplantes em Minas somava, até julho deste ano, 5.949 pessoas.”

Jornalista graduada pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2005. Atua como repórter de cidades na Rádio Itatiaia desde 2022
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