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Belo-horizontino cria vaquinha para conseguir pagar tratamento de câncer raro: ‘não tenho alternativa’

Cristiano tem um câncer raro que resistiu a todos os tratamentos disponíveis pelo SUS e pelo plano de saúde

Um belo-horizontino de 39 anos decidiu criar uma vaquinha para conseguir pagar o tratamento contra um câncer raro. Cristiano Guerra descobriu que tinha um carcinoma de células escamosas, uma doença rara que tem menos de 2 mil casos ao ano, em agosto de 2022, e desde então vem tentando tratar com terapias padrões: cirurgia, radio e quimioterapia. Como o tratamento não surtiu efeito, a última alternativa de Cristiano é se submeter a um tratamento que não é coberto pelo SUS ou pelo plano de saúde.

Por isso, amigos e familiares de Cristiano, a partir da sugestão do médico, bolaram um plano: pagar os dois primeiros ciclos do tratamento e, se conseguirem comprovar a eficácia, solicitar na Justiça a cobertura do tratamento completo pelo SUS ou pelo plano de saúde. A vaquinha online lançada tem uma meta de R$125 mil.

“A imunoterapia é uma opção de tratamento um tanto nova e, para o meu caso é um tratamento ainda em fase de testes. Eu me inscrevi em testes clínicos fora do Brasil, mas eu não consegui viabilizar a minha participação neles por uma questão de custo. A dose que eu tenho que tomar em cada ciclo, e o número de ciclos vai depender da resposta, custa R$55 mil. Cada, além dos custos que não são cobertos pelo plano de saúde nem pelo SUS, como sala, honorários médicos, equipamentos e outras coisas mais”, relata Cristiano.

Cristiano tem esperanças de conseguir comprovar, através de um exame de imagem, que a imunoterapia funciona para o seu caso e, assim, conseguir a permissão da Justiça para dar continuidade ao tratamento gratuitamente pelo SUS, ou conseguir uma obrigatoriedade para que o seu plano de saúde cubra os custos.

“Eu acredito que, uma vez que eu demonstrar que o tratamento funciona para mim, eu consigo fazer com que o plano arque com os custos, que saem muito da capacidade de uma pessoa comum, como eu, de pagar. E aí surgiu a ideia de fazer essa vaquinha”.

A arrecadação do dinheiro está sendo feita por um PIX criado exclusivamente para as doações. Cristiano explica que decidiu não criar uma conta em um site de vaquinha virtual porque é cobrado 7% do valor recebido, que não iria para o propósito inicial. Assim, ele criou uma planilha compartilhada e divulgou no perfil de Instagram criado para arrecadar a quantia. Por lá, qualquer um consegue acompanhar quanto Cristiano já recebeu e quanto falta.

“A gente resolveu fazer via PIX no perfil do Instagram, lá tem um link para um gráfico em que as pessoas vão poder acompanhar e eu vou divulgar todos os orçamentos e todos os comprovantes. A minha ideia é só tentar viabilizar isso o mais rápido possível, porque com o câncer o tempo é muito importante, e eu infelizmente passei por um longo tempo de tratamento sem sucesso”.

As doações podem ser feitas para o pix: vaquinhadoguerra@gmail.com

Correndo contra o tempo

Agora, Cristiano corre contra o tempo para arrecadar a quantia e dar início ao tratamento. Desde quando descobriu o câncer, há 10 meses, ele já passou por duas quimioterapias, uma cirurgia e radioterapia. Como os tratamentos não tiveram efeito, o câncer se desenvolveu para uma metástase no pulmão.

“Eu tenho meses de uma doença evoluindo e da coisa ficando mais difícil. Fui submetido a uma cirurgia que conseguiu a retirada do tumor principal, mas para dar andamento ao tratamento eu precisei da quimioterapia, que foi bem pesada, uma das mais tóxicas que existem, e não surtiu nenhum efeito. Quando a gente descobriu isso, o câncer já tinha avançado e feito a metástase para o pulmão, que agora tem uma lesão. A gente tentou uma segunda quimioterapia e uma radioterapia, que também não surtiram efeito. Eu não tenho mais alternativas, são 10 meses lutando contra um uma doença que é resistente a todos os tratamentos”.

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