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Dengue, chikungunya e zika: saiba diferenciar sintomas e como se prevenir

Médico infectologista explica a diferença das três doenças, quais os sintomas, como fazer o diagnóstico e o tratamento, além de dar dicas de prevenção

Minas Gerais tem sofrido com o aumento exponencial de casos de dengue e chikungunya nas últimas semanas. Até esta segunda-feira (27), mais de 46 mil casos de dengue foram confirmados, com 15 mortes. Já a chikungunya já atingiu mais de 10 mil pessoas, deixando 4 mortos no estado.

Em Belo Horizonte, até esta semana, 4.775 casos de dengue foram confirmados com 1 óbito. Já a chikungunya não possuia óbitos, mas já atingiu 645 pessoas. Zika, até o momento, teve apenas 7 casos confirmados.

Apesar de serem transmitidas pelo mesmo vetor - o mosquito Aedes aegypti - as doenças possuem sintomas e riscos diferentes, como explica o médico infectologista Leandro Curi.

“Por serem arboviroses, doenças virais, no começo pode ter sintomas muito parecidos que podem confundir. Inicialmente, a pessoa tem mal estar, pode ter febre alta, eventualmente dor no corpo e nas articulações. As doenças começam a se diferenciar com o passar dos dias”.

Chikungunya

Segundo o médico, a chikungunya tem como principal característica o aparecimento de edemas, ou seja, inchaço nas articulações e juntas. Além disso, a doença causa dores fortes no corpo, podendo ser incapacitante nas formas mais graves.

“A chikungunya pode causar afastamento por incapacidade motora. As pessoas vão ter dor, com dificuldade de movimentação e de articulações adjuntas. Isso pode durar de três meses até três anos em alguns casos. Então a chikungunya pode afastar as pessoas de uma vida laboral justamente por dor e limitação de movimento”, explica Leandro Curi.

Dengue

A dengue, por sua vez, pode causar dor abdominal, sonolência e, em casos mais graves, hemorragias, problemas renais e hepáticos. Das três doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, é a que possui maior risco de óbito.

“Dengue, na minha opinião, tem o pior desfecho, que é o óbito, porque é uma forma hemorrágica na forma grave, podendo levar ao óbito depois de longo tempo de internação”, explica o médico infectologista

Zika

Para o médico Leandro Curi, a Zika é a doença mais branda para os pacientes adultos. Ela causa manchas menores no corpo, normalmente começando pelo tórax e irradiando para a cabeça e barriga. Além disso, pode causar febre e mal-estar. Seu maior risco, entretanto, é quando ocorre na gravidez.

“O risco maior do zika na minha opinião é a teratogenia, ou seja, a malformações em crianças e bebês, como a microcefalia causada por Zika, que já causou um desespero no nosso país há uns anos e continua valendo”.

Como diagnosticar e tratar

O diagnóstico das arboviroses deve ser feito por meio de um exame clínico e sorológico. As doenças não possuem tratamento específico, e o médico deve mediar o paciente de acordo com os sintomas que aparecem.

“Pessoas diferentes vão se desenvolver de sintomas diferentes da mesma doença. Alguns casos que não precisam de medicamento, são medidas mais caseiras mesmo. Todo mundo está suscetível a passar mal com qualquer uma dessas doenças, no entanto, crianças ou idosos, entre outros alguns grupos de imunidade mais baixa, estão mais suscetíveis à piora clínica”.

Prevenção

Apesar de existir uma vacina contra a dengue, ela ainda não é distribuída de forma gratuita e universal. Por isso, a principal prevenção é evitar que o mosquito transmissor se reproduza. Para isso, é essencial que as pessoas limpez bem suas casas e quintais e não deixem água parada.

“A gente tem que prevenir contra o Aedes aegypti não é nessa fase agora, que é quente e chuvosa. A gente tem que prevenir os focos do Aedes aegypti na fase seca e fria, ou seja, no inverno. Porque os ovos do mosquito duram mais de um ano nas calhas, nas bombonas, nos pneus, nos barris, nas paredes das piscinas, aguardando a chuva chegar para encontrar o ovinho e eclodir. Então a gente tem que fazer a limpeza desses locais com esponja de aço o ano todo para prevenir que esses ovos fiquem grudados e, quando chegar o verão, os ovos não existirem”, explica o médico.

Além disso, durante o verão, que é quando os mosquitos já estão na fase adulta e de transmissão da doença, o infectologista Leandro Curi indica que as pessoas usem mosquiteiros e repelentes para evitarem os mosquitos a qualquer custo.

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