O Paraíso do Tuiuti promete um desfile de profunda imersão religiosa e estética para o próximo Carnaval. Com o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, a azul e amarelo de São Cristóvão, sob condução do carnavalesco Jack Vasconcelos, atravessa o oceano e as fronteiras caribenhas para revelar os laços sagrados que unem o Brasil a Cuba.
A proposta é explorar a Santería Cubana e sua raiz compartilhada com o Candomblé brasileiro, tendo o culto a Ifá como o grande elo de conexão ancestral.
“Lonã", que remete a caminho, é a palavra-chave do enredo. O Tuiuti pretende mostrar que a diáspora africana não apenas sobreviveu ao trauma da escravidão, mas floresceu em diferentes territórios através de sistemas de crenças resistentes e sofisticados.
Os destaques do desfile incluem:
- A Santería e o Candomblé: o paralelo entre as tradições Lucumí (Cuba) e as nações do Candomblé no Brasil, revelando como os mesmos Orixás atravessaram o mar com nomes e ritos por vezes distintos, mas com a mesma essência.
- A sabedoria de Ifá: o conhecimento milenar que serve como guia espiritual para as comunidades afro-americanas.
- Estética afro-cubana: uma promessa de riqueza visual baseada nas cores, indumentárias e símbolos que marcam a fé em Cuba e no Brasil.
Ancestralidade como idioma único
O enredo do Tuiuti é um manifesto de que a ancestralidade é um idioma que ignora fronteiras geográficas. Ao conectar o Rio de Janeiro a Havana, a escola reforça a ideia de uma unidade espiritual no Caribe e na América do Sul.
Jack Vasconcelos, conhecido por enredos de forte densidade cultural e crítica, deve levar para a avenida um desfile luxuoso e educativo, transformando a pista em um solo sagrado onde a percussão cubana e o samba carioca se encontram em uma celebração à vida e à resistência negra.