Justiça condena membros do PCC por plano para matar promotor em SP

Investigações mostram existência de célula estruturada e altamente disciplinada da facção; Lincoln Gakiya, alvo do plano de atentado, investiga o PCC há 20 anos

A Justiça de São Paulo condenou dois membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) por envolvimento em um plano para matar o promotor do Ministério Público Lincoln Gakiya, e o coordenador de presídios Roberto Medina, responsável por unidades prisionais da Região Oeste do estado.

Victor Hugo da Silva e Gabriel Custódio dos Santos foram condenados a cinco anos e sete anos de reclusão em regime inicial fechado, respectivamente. Eles já haviam sido presos preventivamente por tráfico de drogas durante a operação Recon, em 24 de outubro de 2025.

As investigações mostraram a existência de uma célula do crime organizado estruturada e altamente disciplinada. O setor seria responsável por realizar levantamentos detalhados da rotina de autoridades públicas e de familiares das possíveis vítimas. O objetivo seria preparar atentados contra os alvos previamente selecionados.

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Segundo o MP, os criminosos já tinham identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades.

A célula funcionava em um rígido esquema de divisão, em que cada integrante realizava uma função específica sem conhecer a totalidade do plano. A estratégia dificultava a detecção da trama.

O plano de ataque foi detectado e neutralizado pelas autoridades. Os envolvidos foram identificados em fase de reconhecimento e vigilância. Além disso, foram apreendidos materiais e equipamentos que devem passar por perícia e podem levar à descoberta dos responsáveis pela etapa de execução do atentado.

Na decisão da condenação, a juíza Sizara Corral de Arêa Leão Muniz Andrade, da 3ª Vara Criminal de Presidente Prudente-SP, rejeitou o pedido de recurso em liberdade e manteve a prisão preventiva dos réus.

A magistrada afirma que, visto a ligação de Victor Hugo com a facção, a soltura resultaria na “imediata retomada do tráfico de drogas”. Sobre Gabriel, ela cita a reincidência criminal como “perigo gerado pelo estado de liberdade” e ainda uma tentativa de fuga, que revela “a imprescindibilidade da contenção física para a aplicação da lei penal”.

Quem é Lincoln Gakiya

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, alvo do plano de assassinato elaborado pelo PCC, vive há pelo menos 20 anos “jurado de morte” pela facção e há dez sob escolta policial 24 horas.

O integrante da divisão do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco) de Presidente Prudente é um dos principais nomes da Justiça em relação ao combate ao PCC. Gakiya recebeu a primeira ameaça de morte em 2005.

Ele foi um dos responsáveis por transferir a alta cúpula da maior organização criminosa do Brasil para presídios de segurança máxima.

Em fevereiro de 2019, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como “Marcola” e apontado como o maior chefe do PCC, foi um dos 22 integrantes da facção a serem transferidos.

Essa foi uma das ações mais recentes em que o promotor participou. A operação aconteceu após o Ministério Público descobrir um plano do PCC para resgatar as principais lideranças da facção presas na penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Gakiya foi quem fez o pedido de transferência.

Além disso, foram encontradas cartas dentro de celas do presídio em que eram citados planos de ataques às autoridades públicas. As ações seriam uma forma de retaliar os movimentos contra o PCC. O promotor estava entre os alvos.

Nas redes sociais, Gakiya conta com quase 20 mil seguidores e compartilha participações em entrevistas. Há um ano, o promotor de Justiça afirmou que “o PCC está pronto para funcionar sem ordens diretas dos líderes” e que “age na prática como organização terrorista”.

*Com informações da CNN Brasil

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.
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