Caso Henry Borel: julgamento entra no sexto dia neste sábado (30)
Julgamento ocorre no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro

O julgamento da morte do menino de Henry Borel, de 4 anos, chega ao sexto dia neste sábado (30). Ele vai ocorrer no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Segundo a programação, o depoimento de Leniel Borel, pai da criança, deve continuar entre 9h e 12h. O júri também continua no domingo (31).
O pai de Henry começou a depor ainda nesta sexta-feira (29). Antes do início do depoimento de Leniel, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, pediu para deixar o plenário do tribunal. Ele saiu durante o depoimento do médico legista Luiz Airton Saavedra de Paiva, 12ª testemunha ouvida no julgamento.
Pela manhã, Monique Medeiros, mãe de Henry, passou mal durante a exibição de imagens da necropsia da criança e também precisou deixar a sessão antecipadamente. Jairinho e Monique são réus por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
Depoimento
No júri, Leniel Borel relembrou seu último final de semana com o filho e o momento em que entregou Henry à mãe. "Foi maravilhoso, se não fosse tão trágico", afirmou. Ele também informou que a separação entre ele e Monique havia ocorrido cerca de seis meses antes da morte do filho. A mulher morava com Jairinho há cerca de um mês e meio quando a criança morreu.
Segundo Leniel Borel, quando ele foi entregar Henry à mãe, a criança resistiu e se agarrou a ele. Neste momento, Leniel tenou tranquilizá-lo, dizendo que "a mamãe é uma mamãe boa". Segundo o depoimento, Henry respondeu que não era.
Na sessão, a juíza destacou que, em seu primeiro depoimento, Leniel Borel havia descrito Monique como uma mãe zelosa. Em resposta, ele disse que sua percepção mudou após ter acesso a conversas e informações mais aprofundadas envolvendo familiares e outras pessoas próximas, incluindo a avó de Henry, a prima e outros envolvidos no caso.
Leniel Borel é a 13ª e última testemunha de acusação a ser ouvida no julgamento. Na sequência, começam os depoimentos das testemunhas de defesas. Ao todo, 27 pessoas serão ouvidas como testemunhas durante o julgamento.

Julgamento
Os réus respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. A acusação sustenta que Jairinho desferiu as agressões, enquanto Monique omitiu-se para preservar o relacionamento com o então vereador.
O julgamento, presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, deve durar entre sete e dez dias. Caso os jurados decidam pela condenação com pena superior a 15 anos, a Justiça pode determinar a prisão imediata dos réus ainda no plenário.
O quinto dia de julgamento, realizado nesta sexta-feira (29), foi marcado pelos depoimentos do perito Luiz Carlos Leal Prestes e do médico legista Luiz Airton Saavedra de Paiva. Os dois especialistas foram considerados fundamentais para sustentar a tese defendida pelo Ministério Público de que o menino Henry foi vítima de homicídio por espancamento.
O perito Luiz Carlos Prestes disse que a criança já chegou sem vida ao hospital e esclareceu que as lesões encontrados no corpo do menino Henry foram feitas antes da morte do garoto, rebatendo a tese defendida pelos advogados de Jairinho de que os hematomas foram provocados pela massagem cardíaca feita na criança. O perito também descartou a hipótese de acidente doméstico, afirmando que as lesões encontradas são decorrentes de espancamento. Nas palavras do perito “a multiplicidade de lesões em sítios diferentes fez com que, inequivocamente, se concluísse que essa criança foi agredida e por isso houve a hemorragia interna".
O crime
Henry Borel foi morto em 8 de março de 2021, com apenas 4 anos de idade. O ex-vereador do Rio de Janeiro Jairo Souza Santos Júnior é apontado pelo MInistério Público como o principal responsável pela morte da criança.
A vítima é filha da Monique Medeiro, fruto de um antigo casamento com Leniel Borel. Monique, Jairo e Henry moravam em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminente. Na madrugada em que ele morreu, foi levado pelo casal, aparentemente desacordado, ao Hospital Barra D'Or, no mesmo bairro.
Na unidade de saúde, os médicos constataram o óbito. O casal alegava ter encontrado Henry desmaiado no quarto onde dormia.
O laudo do Instituto Médico-Legal identificou 23 lesões corporais em Henry Borel, descartando a hipótese de acidente doméstico sustentada pelos réus. Dr. Jairinho permanece preso no Complexo de Gericinó.
Henry apresentava lesões hemorrágicas na cabeça, lesões no nariz, hematomas no punho e abdômen, contusões no rim e nos pulmões, além de hemorragia interna e rompimento do fígado.
*Com informações de CNN
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.




