Caso Henry Borel: filha de ex-namorada de Jairinho relata episódios de violência em julgamento
Kailane chorou bastante no tribunal. Em uma das ocasiões ela conta que teria sido afogada pelo réu numa piscina

O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros, réus pela morte do menino Henry Borel, foi retomado nesta quinta-feira (28), com um forte depoimento de Kaylane Pereira, filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada de Jairinho, com quem manteve um relacionamento de 2010 a 2014.
Kailane chorou bastante no tribunal e relatou episódios de violência que teriam sido praticados por Jairinho quando ela tinha quatro anos. Em uma das ocasiões ela conta que teria sido afogada pelo réu numa piscina até bater a cabeça chão. Kaylane afirmou ainda que o ex-vereador chegou a torcer seu braço e pediu que ela não contasse nada para a mãe.
A jovem, que agora tem 18 anos, também admitiu que na época teve medo de relatar o caso pela forte influência de Jairinho.
“Se eu contasse o que acontecia, a mãe ficaria muito triste, choraria e eu seria a responsável por isso”
Ela disse ainda que acredita que as agressões ocorriam em um quarto que ela acredita ser de motel, pra onde ela era levada por Jairinho.
O depoimento ocorreu sem a presença de Jairinho, a pedido da própria Kaylane.
Ainda nesta quinta-feira (28), está previsto o depoimento de Débora, outra ex namorada de Jairinho.
Fabiano Lopes, o advogado de Jairinho que sofreu infarto no último sábado (23), voltou ao tribunal para fazer a defesa do ex-vereador por se considerar o único dos advogados a par dos casos periféricos e de depoimentos das ex-namoradas de Jairinho. O advogado criticou a decisão da justiça em manter o julgamento mesmo com sua ausência por problemas de saúde.
“Por que esse júri não foi adiado sendo que eu sou o líder? Eu escolhi cada advogado, eu estou nesse caso há mais de quatro anos, só eu conheço todos os casos periféricos. Hoje, todas as testemunhas são testemunhas do juízo e de processos periféricos que só eu estou presente. E é até por isso que eu estou fazendo esse sacrifício. O que ia acontecer se esse júri acontecesse daqui a um mês ou dois meses até eu estar devidamente estabilizado? Jairinho está preso, Monique foi solta mas já está presa. Não ia prejudicar em nada um mês ou dois meses pra quem já está esperando cinco anos.”
Fabiano Lopes atribui seu problema cardíaco ao uso de anabolizantes e afirmou estar apenas com 33 por cento de sua capacidade cardíaca.
A sessão continua, no II Tribunal do Júri, da Capital, no Centro do Rio e é presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro. Ao todo, 27 testemunhas serão ouvidas e a previsão é de que o julgamento, que está em seu quarto dia, dure de cinco a dez dias.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.



