Caso Henry Borel: 'Ele era o amor da minha vida', diz Monique em julgamento
Mãe da vítima e ré acusada de participação na morte de Henry foi interrogada neste nono dia de júri

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel — menino morto aos quatro anos — e ré acusada de participação no óbito dele, foi interrogada nesta terça-feira (2). "Ele era o amor da minha vida", declarou Monique no nono dia de julgamento dela e do ex-vereador Jairo Souza Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, na época, padastro da vítima.
A fala da ré aconteceu enquanto ela relembrava um episódio durante uma ligação com Henry, em que ele havia questionado: "Mamãe, eu te atrapalho?". Após a pergunta, Monique afirmou que negou que o filho seria um tipo de peso para ela e disse o tanto que o amava.
"Eu sempre encaixava o Henry em tudo, levava ele para todos os lugares, ele era meu chaveirinho [...] eu disse pra ele que não [sobre atrapalhar] e que ele era o amor da minha vida", relatou Monique.
O interrogatório começou por volta das 10h30 desta terça-feira (2). A ré chorou diversas vezes ao longo da fala, descrevendo episódios de agressão supostamente cometidos por Jairo contra a criança desde o início do relacionamento do casal. Ela ainda apontou acreditar que Jairo foi o responsável pela morte da criança.
A mulher, acusada de homicídio por omissão, tortura e coação, é a primeira a ser interrogada nesta fase do processo. Após a oitiva, o Tribunal do Júri deverá ouvir Jairo, apontado pelo Ministério Público como autor das agressões que causaram a morte de Henry. O julgamento é considerado o mais longo da história do Rio de Janeiro nos últimos 18 anos.

Jairo será ouvido após Monique
O ex-vereador Jairo Souza Júnior, conhecido como Jairinho, será interrogado após o depoimento de Monique, segundo uma decisão da 7ª Câmara Criminal do Rio. O pedido foi feito pelos advogados do réu, argumentando que Monique acusa o ex-vereador de ter cometido o crime e, por isso, ela deve depor antes, para que a defesa possa conhecer as acusações dela.
Próximos passos do julgamento
Após os interrogatórios do réus, começam os debates entre acusação e defesa. Nessa fase, o Ministério Público terá duas horas e meia para fazer a acusação. As defesas falam em seguida, com até duas horas e meia para cada. Depois, pode haver réplica da acusação, com até duas horas de duração, e a tréplica das defesas, em até duas horas. A previsão é que o julgamento se encerre nesta semana.
Os dois réus respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. A acusação sustenta que Jairo desferiu as agressões contra Henry, enquanto Monique omitiu-se para preservar o relacionamento com o homem que, na época, ocupada o cargo de vereador.
O crime
Henry Borel foi morto em 8 de março de 2021, com apenas 4 anos de idade. O ex-vereador do Rio de Janeiro Jairo Souza Santos Júnior é apontado pelo Ministério Público como o principal responsável pela morte da criança.
A vítima é filha da Monique Medeiro, fruto de um antigo casamento com Leniel Borel. Monique, Jairo e Henry moravam em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense. Na madrugada em que ele morreu, foi levado pelo casal, aparentemente desacordado, ao Hospital Barra D'Or, no mesmo bairro.
Na unidade de saúde, os médicos constataram o óbito. O casal alegava ter encontrado Henry desmaiado no quarto onde dormia.
O laudo do Instituto Médico-Legal identificou 23 lesões corporais em Henry Borel, descartando a hipótese de acidente doméstico sustentada pelos réus. A criança apresentava lesões hemorrágicas na cabeça, lesões no nariz, hematomas no punho e abdômen, contusões no rim e nos pulmões, além de hemorragia interna e rompimento do fígado.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



