A história de vida da costureira Sônia Vieira Teixeira, de 80 anos, carrega marcas de um Brasil rural, da coragem de quem buscou novos horizontes em uma metrópole e de décadas de trabalho. Moradora da cidade de Resende Costa, no Campo das Vertentes de Minas, ela continua trabalhando mesmo após se aposentar e chama a atenção ao pilotar um quadriciclo para ir ao trabalho e se locomover pelo município de pouco mais de 11 mil habitantes.
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Viúva, dona Sônia mora sozinha, tem seis filhos, 11 netos e seis bisnetos. Em contato com a Itatiaia, a idosa contou que a rotina dela começa às 6h e termina somente por volta das 22h.
“Levanto às 6 horas da manhã, faço minha oração, faço meu café, tomo meu remédio, depois pego o meu quadriciclo e vou para o serviço, trabalho costurando artesanato. Volto para casa por volta das cinco da tarde, faço minha janta, faço marmita, tomo meu banho e vou à igreja umas três vezes por semana”, conta Sônia.
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— Itatiaia (@itatiaia) January 29, 2026
A costureira conta ainda que não teve dificuldade para aprender a pilotar e que ganhou ainda mais autonomia graças ao veículo. “Hoje já estou bem treinada”, ressalta a idosa, que só encerra a rotina diária por volta das 22h, quando tira um tempinho para olhar o celular.
Dona Sônia não para nem aos finais de semana, sempre pilotando o quadriciclo. “Vou para a casa dos meus filhos em um povoado que tem aqui perto. Depois eu volto de novo para casa. Minha rotina é essa”, destacou.
Sonho
A analista de RH Paula Roberta Resende, de 31 anos, é uma das netas de dona Sônia. Ela conta que a avó sempre teve o sonho de aprender a pilotar e nunca gostou de “ficar parada”. Ela se aposentou pelo INSS, mas continuou trabalhando porque gosta mesmo. “Ela é aquele tipo de pessoa que resolve tudo sozinha e não pede nada para ninguém. Ela se vira, é muito ativa, lúcida e, acredito, que isso é muito em função do trabalho, de não parar o corpo”, disse a neta.
Paula contou ainda que a avó começou a pilotar em 2024, em um triciclo. “Em 2025 foi que ela resolveu trocar por um quadriciclo, porque o outro era elétrico e ficava descarregando a bateria e tal. E aí ela trocou por esse que é de gasolina. Aí ela tem mais confiança de até onde ela pode ir.”
Dona Sônia com a neta Ana Paula
Infância
Nascida em uma família numerosa, ela cresceu em um povoado com cerca de 50 habitantes. Teve a infância pautada pelo trabalho braçal; desde cedo, ajudava o pai nas plantações de café e em outras lidas do campo.
Um dos pontos mais curiosos de sua trajetória está na educação. Apesar de ser filha de uma professora, ela e seus irmãos não seguiram os estudos, parando na terceira série do ensino primário.
A juventude foi marcada pela socialização nas tradicionais festas de roça, locais de celebração e encontros comunitários. Foi em um desses eventos que ela conheceu o homem que viria a ser seu marido. O matrimônio aconteceu cedo, aos 19 anos, dando início a uma nova etapa que resultaria na criação de seis filhos.
Rumo a São Paulo
Após estabelecer sua família e viver os desafios da vida no campo, a trajetória dessa mineira tomou um novo rumo com a mudança para São Paulo, onde morou por alguns anos. Em 1990, já de volta a Minas, dona Sônia aprendeu a costurar.