Caso Alice: Justiça mantém prisão de garçom acusado pela morte de mulher trans em BH

Decisão cita violência extrema, motivação fútil e ofensas transfóbicas; a jovem morreu em 9 de novembro

Assassinato brutal de Alice causa comoção e revolta

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu, nesta quinta-feira (29), por unanimidade, manter a prisão de Arthur Caique Benjamin de Souza, um dos acusados de envolvimento na morte da mulher trans Alice Martins Alves, ocorrida na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

De acordo com o processo, o crime teria começado por causa de uma dívida de apenas R$ 22. Durante a cobrança, Arthur teria agredido a vítima com socos e chutes. Alice sofreu ferimentos graves, teve fraturas, perfuração no intestino, desenvolveu uma infecção generalizada e morreu no dia 9 de novembro de 2025.

Na decisão, os desembargadores destacam a gravidade do caso. “Tais circunstâncias evidenciam a periculosidade e o risco à ordem pública, materializados pela gravidade concreta da conduta, pela motivação fútil e torpe e pelo modus operandi cruel”, aponta o documento. O texto também ressalta que o investigado teria proferido ofensas de cunho transfóbico contra a vítima e ameaçado uma testemunha ocular, o que reforça a gravidade dos fatos.

Leia também:

Outro ponto considerado pela Justiça foi o comportamento de Arthur após o crime. Segundo os autos, ele teria ameaçado uma testemunha que tentou ajudar a vítima e retornado normalmente ao trabalho após as agressões, atitude interpretada como frieza. “Cumpre ainda mencionar a frieza do agente, que, após as agressões, teria retornado ao trabalho, em clara postura de indiferença e destemor”, diz a decisão.

A defesa pediu que Arthur respondesse ao processo em liberdade ou com medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica, alegando que ele trabalha como entregador e não apresentaria risco de fuga. O pedido, no entanto, foi negado.

O documento não menciona o nome de William Gustavo de Jesus do Carmo, que não foi preso.

A decisão é assinada pelo desembargador Alberto Deodato Neto, relator do processo e responsável pelo voto que conduziu a decisão. O entendimento foi acompanhado pelos desembargadores Eduardo Machado e Wanderley Paiva.

Leia também

A reportagem tenta contato com a defesa de Arthur e William. O espaço permanece aberto para manifestação.

Relembre

As agressões ocorreram em 23 de outubro, após Alice ser acusada de sair de uma pastelaria sem pagar uma conta de R$ 22 acusada de sair de uma pastelaria sem pagar uma conta de R$ 22, o que ela negou. Dois funcionários a perseguiram e a vítima foi espancada, socorrida em uma UPA e liberada.

Dias depois, voltou a sentir dores, foi internada com fraturas e lesões graves e, em nova internação, teve constatada uma perfuração no intestino causada pelas agressões. Alice morreu em 9 de novembro, em Betim, vítima de infecção generalizada.

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

Ouvindo...