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'Toca a alma', diz comandante-geral da PM sobre capitã morta em BH

Coronel Cleide Barcelos é a primeira mulher a chefiar a Polícia Militar de Minas Gerais e lamentou a morte da colega Michele Leão Azevedo

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A coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues em entrevista à Itatiaia quando assumiu o comando da PMMG/ capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, encontrada morta • Itatiaia / Reprodução

A comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, comentou sobre a morte da capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, durante o sepultamento da policial nesta quarta-feira (22).

Em declaração à imprensa, a comandante disse que a morte da oficial, assim como a de outras mulheres vítimas de violência doméstica, "toca a alma" e reforça o compromisso da Polícia Militar no enfrentamento ao feminicídio.

"Nos meus 29 anos de Polícia Militar e aproximadamente dois meses no comando da instituição, aprendi uma coisa: não existe nada mais triste do que a perda de uma vida", afirmou.

A coronel também destacou que a violência contra a mulher continua sendo um desafio para toda a sociedade.

"A morte da capitã, e de todas as outras mulheres em virtude da violência doméstica e familiar contra a mulher nos motiva cada vez mais a lutar contra esse inimigo visível e, muitas vezes invisível, que assola a nossa sociedade."

Cleide Barcelos afirmou ainda que a população pode confiar na atuação da corporação.

"Toda a nossa comunidade pode continuar acreditando no firme propósito da nossa instituição de proteger todas as famílias mineiras, todas as mulheres do estado de Minas Gerais. Esse é o nosso propósito, essa é a nossa missão que nos foi dada por Deus e nós não vamos recuar, mesmo diante dos maiores desafios e das maiores dificuldades."

A comandante-geral é a primeira mulher a chefiar a Polícia Militar de Minas Gerais.

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Prisão preventiva

Também nesta quarta-feira (22), a Justiça converteu em preventiva a prisão do sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, investigado pela morte da capitã.

Na decisão, o juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia de Belo Horizonte, entendeu que a manutenção da prisão era necessária para garantir a ordem pública.

Michele foi sepultada na tarde desta quarta-feira no Cemitério da Paz, em Belo Horizonte.

Entenda o caso

Capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), identificada como Michele Leão Azevedo e o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira • • Imagens cedidas à Itatiaia
Capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), identificada como Michele Leão Azevedo e o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira • • Imagens cedidas à Itatiaia

Michele Leão Azevedo deu entrada sem vida no Hospital Metropolitano Odilon Behrens na noite de segunda-feira (20). Conforme os médicos, ela já estava morta havia entre quatro e seis horas e apresentava traumatismo craniano, hematomas e diversas lesões pelo corpo.

Em depoimento, Eduardo Abner afirmou que o casal participou de uma festa, consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy e, após a saída dos convidados, manteve relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Segundo ele, Michele também teria sofrido uma queda da escada e recusado atendimento médico.

A investigação, entretanto, aponta outros elementos. O sargento foi flagrado descartando comprimidos de ecstasy na lixeira do hospital, colocou roupas de cama para lavar antes da chegada da perícia e um cabo de madeira quebrado, que pode ter sido usado nas agressões, foi encontrado na lixeira do condomínio.

Moradores relataram à Itatiaia que as discussões entre o casal eram frequentes. O síndico do prédio afirmou que um morador encontrou sangue no corredor vindo da porta do apartamento. Câmeras de segurança também registraram o momento em que Eduardo carrega Michele desacordada até o carro para levá-la ao hospital.

O que diz a defesa do sargento

Por meio de nota, a defesa do sargento Eduardo Abner disse que tomou conhecimento dos fatos noticiados e já está acompanhando integralmente a apuração.

"Neste momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes. A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento."

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

 

 

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