Filha de Lilian Hermógenes sobre aumento da pena do mandante do crime: ‘Muito feliz’
Artur Campos Rezende foi condenado por ter sido o mandante do assassinato da ex-esposa

“Com muita alegria, com a esperança de que finalmente ele fique [preso] e pague”. Foi assim que Gabriela Campos Rezende Silva, filha de Lilian Hermógenes da Silva, reagiu à notícia de que a pena do mandante do assassinato da mãe, Artur Campos Rezende, foi aumentada. O Núcleo de Justiça 4.0 – Criminal Especializado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou, nessa quarta-feira (16), que a pena seja de 31 anos, três meses e três dias de reclusão (em regime fechado), oito meses e quatro dias de detenção (em regime aberto) e 40 dias-multa.
O relator da apelação criminal, juiz convocado Mauro Riuji Yamane, acolheu o pedido de aumento da pena-base e destacou que houve premeditação para a execução do crime, bem como dois filhos menores ficaram desamparados e traumatizados pelo fato de o próprio pai ter sido o mandante do assassinato da mãe, conforme divulgou o TJMG.
Filha de Lilian Hermógenes sobre aumento da pena do mandante do crime: ‘Muito feliz’
📹 Itatiaia | Amanda Antunes pic.twitter.com/c6xLF1YiM0
— Itatiaia (@itatiaia) September 17, 2026
Anteriormente, o Conselho de Sentença havia estabelecido a pena de Artur em 24 anos, dois meses e 20 dias de reclusão (em regime fechado), seis meses de detenção (em regime aberto) e 36 dias-multa.
“A gente fica em paz, fica muito feliz e espera que, dessa vez, a justiça seja realmente feita, que seja cumprida a pena dele de fato”, disse Gabriela. Emocionada, a filha de Lilian afirmou ainda: “31 anos não é nada perto dos anos que vou ficar longe da minha mãe. Já faz 10 anos que estou longe dela, praticamente metade da minha vida. Então, assim, 31 anos não é nem perto da dor, da falta, da ausência que ele tirou da gente”.

O Núcleo de Justiça 4.0 também julgou a condenação de Alisson Caldeira de Oliveira, responsabilizado como o executor direto do homicídio e do roubo da motocicleta utilizada no crime. Ele teve sua pena mantida em 23 anos e quatro meses de reclusão (regime fechado), oito meses e 16 dias de detenção (regime semiaberto) e 42 dias-multa.
Os desembargadores Wanderley Paiva e José Luiz de Moura Faleiros acompanharam o voto do juiz convocado Mauro Riuji Yamane.
O crime
Lilian foi morta a tiros por uma dupla em uma moto, em frente à casa da mãe dela, no dia 23 de agosto de 2016, em Contagem, na Grande BH. Os assassinos levaram a bolsa da vítima para simular um crime de latrocínio.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Artur Campos Rezende contratou Alisson Caldeira de Oliveira para realizar a execução do crime, prometendo, como pagamento, um trator situado em sua fazenda na Comarca de Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A ligação entre o mandante e o executor foi confirmada pela investigação policial por meio do rastreamento de bilhetagem telefônica de chamadas efetuadas momentos antes e logo após a execução do crime, de acordo com a denúncia.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, Artur não aceitava o fim do casamento com Lilian e as consequências financeiras e familiares decorrentes do divórcio.
“Nossa convivência era de vários atritos, já presenciei várias agressões contra minha mãe, e como disse, era realmente uma relação muito complicada, poucos momentos bons enquanto ele estava presente”, contou Gabriela. A filha de Lilian contou ainda que o genitor trancava a geladeira e a despensa quando viajava.
Defesas
De acordo com o MPMG, a defesa de Artur Campos alegou cerceamento de defesa em plenário, negativa de autoria e decisão contrária às provas dos autos.
A defesa de Alisson Caldeira apontou contradição na votação dos quesitos pelo Conselho de Sentença, negativa de autoria do crime e que, na data e no horário do homicídio e roubo, o réu estava em um sítio na cidade de Matozinhos, na RMBH. “Em relação a essa alegação, no julgamento realizado pelo Conselho de Sentença, os jurados entenderam que o conjunto probatório apresentado pela acusação (incluindo o reconhecimento fotográfico pela vítima do roubo) e o depoimento de testemunhas eram coerentes e verossímeis”, informou o MPMG.
Assim, o magistrado concluiu que o júri agiu dentro de sua competência constitucional ao desconsiderar a alegação de álibi e reconhecer Alisson como o executor direto do homicídio e do roubo prévio da motocicleta.
Thiago Rodrigues dos Santos, um terceiro réu, foi absolvido porque os jurados entenderam não haver elementos suficientes para demonstrar sua participação nos fatos, acolhendo a tese defensiva de negativa de autoria.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.





